É na Quinta do Poço Novo, assim batizada pelo general Godinho Caeiro no século XIX e num antigo forno de fabrico de telhas que nasceu um restaurante que aposta numa reinterpretação que mantém os sabores da gastronomia alentejana.
“Aproveitámos a base do forno original para fazer o nosso forno de assados”, explica Álvaro Grilo, diretor do espaço à New in Évora, acrescentando que o conceito do espaço, embora inserido numa unidade hoteleira, recusa o rótulo de “restaurante de hotel” para turistas. “É um restaurante direcionado para os eborenses, que respeita a essência alentejana, as suas raízes e os produtos da nossa terra”.
Sentámo-nos à mesa do Forno da Telha, onde a estética da sala se destaca desde logo pelos tons quentes e marcada pelo barro e madeira, a fazer jus à herança da antiga função daquele espaço. Apesar da estética contemporânea, este restaurante não é um fine dining, como nos confirmou o chef André Campos. Aqui há uma regra clara: “tradição na base e atual na forma”.
A experiência começou com o couvert (6€), para abrir o apetite com um pão alentejano de massa mãe – feito no próprio restaurante -, pronto para ser mergulhado numa das estrelas da refeição: o azeite próprio do Forno da Telha, resultante de uma parceria com um lagar de Serpa. Um extra virgem exclusivo, com uma acidez de 0,3% e um final de boca ligeiramente picante, além de uma manteiga de alho assado e ervas aromáticas.
Antes do prato principal, o chef apresentou a tiborna de bacalhau com pimentos assados e coentros (9€), um dos petiscos com mais saída e percebe-se porquê. Juntamente ao pão torrado, há um equilíbrio de texturas que torna este petisco numa proposta interessante, embora acabe por ser a proposta menos surpreendente face aos pratos que se seguiram.
Porco preto da cabeça aos pés
Se há um prato que define a filosofia do Forno da Telha é o porco preto da cabeça aos pés (22€) que, nas palavras do chef, é “uma homenagem ao porco, desde os enchidos aos cortes menos nobres”.
Assim que chega à mesa, destaca-se pela apresentação mas é ao saboreá-lo que percebemos o porquê da sugestão do mesmo. É composto pela presa – o corte nobre -, pelos pezinhos numa salada fresca com maçã, para cortar a gordura, por uma miga de papada, bem como uma mousse leve de iscas, com um segredo para lhe tirar o sabor metálico. Nada mais, nada menos que uma marinada em leite, e um molho proveniente da carne, que demora dois a três dias a ser reduzido a partir de ossos e legumes.
Voltando à estética, esta destaca-se pela pequena bolacha salgada em forma de porquinho. “É uma cookie salgada que dá crocância. Estamos sempre a tentar melhorar, para que não seja apenas estético, mas que realce o sabor”, confessa André Campos, ao revelar que, em abril, o prato poderá ganhar novos elementos de enchidos na própria massa.
Para encerrar a refeição, provámos o arroz doce com pêra bêbeda e nozes, que foge ao tradicional pela companhia da fruta cozinhada em vinho e do crocante das nozes. Uma sugestão interessante, principalmente pela junção de texturas e pelo equilíbrio. Sem ser demasiado doce nem lhe falta sabor, é uma sobremesa que dá vontade de repetir.
No Forno da Telha, as sobremesas chegam até si, “permitindo-lhe escolher diretamente à mesa a criação que mais desperta os seus sentidos”.
Piscina com sunsets e experiências vínicas na adega
Além de ser um espaço acolhedor para almoçar ou jantar, o Forno da Telha possui uma piscina – também direcionada aos locais – que promete ser o ponto de encontro no verão com sunsets.
Álvaro Grilo destaca ainda as experiências vínicas na adega, com provas de vinhos diretamente da talha e os eventos temáticos, como a Roda à Mesa, um dos mais aguardados no Dia da Mulher, que contará com a especialista Madalena Vidigal para um almoço exclusivo para 19 pessoas.
A versatilidade do restaurante é um dos pontos que o responsável faz questão de sublinhar porque, além do serviço diário de almoços e jantares, o restaurante assume-se como um espaço ideal para quem procura um cenário diferente em Évora, com uma equipa preparada para receber casamentos e festas de aniversário. “Estamos abertos a tudo o que seja animação e festas”, reforça o diretor.
No entanto, não é novidade que ao domingo é que a tradição está ainda mais presente no restaurante, com o Almoço dos Ganhões – por 34€ com tudo incluído – onde o prato principal, que varia entre o cozido de grão, a sopa de cação e a feijoada de javali, é servido à mesa, como no tempo em que os trabalhadores rurais se reuniam à volta das panelas de barro.
Esta iniciativa é ainda mais especial porque, enquanto os clientes saboreiam a refeição, podem ouvirum grupo de cante alentejano, que vai alternando de semana a semana.
Seja para almoçar durante a semana – usufruindo do menú executivo (28€) – para um petisco da carta de snacks – disponível entre as 15h30 e as 19 horas – ou para uma celebração de família, a equipa do Forno da Telha está disponível para fazer deste um dos espaços de referência na cidade de Évora.
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