Durante 11 anos, a Hamburgueria Triangular foi um verdadeiro destaque na cidade, assumindo-se como pioneira num conceito que, na altura, ainda dava os primeiros passos na região. No entanto, o final de 2025 ditou o encerramento deste espaço para dar lugar a uma nova aventura.
No dia 6 de janeiro de 2026, as portas abriram-se com uma nova identidade, um novo logótipo e um conceito reformulado: nasceu o Molh’Aqui. O responsável por esta transformação é João Gonçalves, de 59 anos.
A sua paixão pelo contacto com o público e pela restauração não é de agora. “Sempre fui funcionário público e trabalhei durante 30 anos na função pública”, conta o proprietário, explicando que, durante esse período, sempre manteve cafés e pastelarias em part-time, por puro gosto.
O salto para a dedicação a tempo inteiro aconteceu quando surgiu a oportunidade de chegar a acordo com o Estado, permitindo-lhe abraçar a restauração a cem por cento. Antes de se fixar no atual espaço, geriu durante uma década aquela que se tornou uma das cafetarias mais conhecidas de Évora.
A Hamburgueria Triangular, que geria com a ajuda do filho Diogo, foi um sucesso. Mas, quando o filho teve de se mudar para Lisboa para seguir a sua vida, João sentiu necessidade de criar um conceito “mais suave” e focado noutra grande paixão. “Em Évora não há nenhuma Casa de Francesinhas como deve ser. Pelo menos para o meu gosto”, confessa João Gonçalves, apontando a lacuna que o motivou a criar o Molh’Aqui.
O foco inicial seria exclusivamente a francesinha, mas as saudades da clientela anterior falaram mais alto. “Com muita insistência, e a pedido de muita gente, voltámos a ter alguns dos hambúrgueres que fizeram sucesso na Triangular”, revela o fundador.
No que toca à estrela da casa, a francesinha, a oferta foi desenhada para agradar a todos. Consciente de que o molho é sempre motivo de debate, o restaurante disponibiliza duas versões exatamente iguais no sabor, uma com e outra sem picante. E se pensa que os adeptos do picante vencem esta batalha, desengane-se. “Curiosamente, o que sai mais é, de facto, sem picante”, revela João Gonçalves, acrescentando que até realizaram uma sondagem no Instagram onde a versão suave saiu vencedora.
A ementa apresenta várias variações deste prato. A francesinha tradicional pode ser servida com vitela ou frango grelhado, é acompanhada de salsicha de churrasco, linguiça fresca, fiambre, mortadela, queijo e ovo (13,9€ ou 12,9€, consoante o tamanho escolhido). Mas é a versão regional que tem dado que falar: a francesinha campaniça, que João descreve como “a mais original”. Esta criação leva lombo de porco ibérico, salsicha de churrasco, linguiça alentejana, paio, mortadela, fiambre, alheira regional, queijo e ovo (14,9€ ou 13,9€). A combinação destes sabores do Alentejo com o molho portuense resulta, na opinião do responsável, numa explosão de sabores.
Para os mais aventureiros, João destaca a sua favorita, a francesinha de salmão, feita com um lombo de salmão grelhado, temperado com sal e limão e o molho. E para os que seguem dietas à base de plantas, existe a francesinha da horta, construída com cogumelos Portobello, hambúrguer de feijão preto, salsicha e fiambre vegan, queijo vegan e ovo (14,90€).
Contudo, a inovação não fica por aqui. O Molh’Aqui lançou ainda uma versão ideal para quem anda sempre em movimento. Isto porque a francesinha pode vir selada dentro de um bolo do caco, apelidada de apertadinha (14.9€). “Tem todos os ingredientes que uma francesinha tem no interior, mas o molho vai no recipiente à parte. É para a pessoa poder comer uma francesinha sem se sujar, para levar e comer em viagem”, explica entusiasmado com a sua criação.
Apesar da nova roupagem, os hambúrgueres continuam a ser um motivo de romaria ao espaço situado na Avenida Lino de Carvalho. “Não utilizamos nada industrial. Os molhos são todos feitos por nós”, garante o responsável, referindo-se aos ketchups, molhos de alho e barbecue.
O grande campeão de vendas é o Cortiço, servido sempre em bolo do caco – como todos os hambúrgueres da casa – que leva carne de vitela ou frango, cebola caramelizada, queijo cheddar, bacon, ovo, rúcula e o famoso ketchup caseiro (11,4€ em versão Mini, 12,4€ Normal, 15,4€ Duplo). Segue-se o Esfrangalhado, feito exclusivamente com 100 por cento carne de frango, agrião, cogumelos, cebola frita, chips fritos, batata palha e um molho shoarma picante.
Outros destaques incluem o Moenga, com cogumelos salteados, queijo de cabra, cebola caramelizada e molho de cogumelos, o Charôco, com mozzarella, manga, camarão e molho de camarão com coentros frescos, e as opções alternativas, como o Migratório (100 por cento salmão com molho de lima) e o Chanfrado, um hambúrguer de feijão preto com pimento assado.
A refeição no Molh’Aqui não fica completa sem passar pelas entradas, onde a criatividade continua a surgir. O destaque vai para as bolinhas de alheira com ameixa (4,5€), uma invenção da casa que surpreende pelo contraste de sabores. “É ali um agridoce. É o salgado da alheira com o doce da ameixa. Fica muito bom”, descreve João. Outra opção popular são os croquetes de vitela (4,5€), servidos com molho barbecue e de alho caseiros.
Para terminar, a ementa de sobremesas sugere propostas como o bolo de bolota – uma especialidade sem glúten ou lactose, coberta com doce de ovos (4,5€) -, mousse de Oreo, serradura ou um clássico bolo de bolacha (a partir de 3,2€).
O espaço, situado junto à zona do Registo Civil, numa das principais avenidas de Évora, oferece uma vantagem na cidade: um parque de estacionamento gratuito. Apesar do sucesso, João Gonçalves confessa que a ambição não fica por aqui. “Gostava de replicar o Molh’Aqui, mas em Lisboa. Ia ter muito sucesso, mais do que aqui”, desabafa.
Carregue na galeria e conheça o Molh’Aqui.







