Quando pensamos numa festa de aniversário, num batizado ou até num casamento, há imagens que vêm imediatamente à cabeça: mesas fartas, dezenas de salgados, doces de todas as cores e um grande bolo. Contudo, no final destas celebrações, sobra sempre uma grande quantidade de comida que, inevitavelmente, acaba desperdiçada. Foi para contrariar esta realidade que nasceu o Água na Boca.
Durante a semana, Marta e João Rabino, de 37 e 44 anos, partilham o mesmo emprego, como operários fabris. No entanto, quando chega o fim de semana, trocam a rotina da fábrica pela gestão do Água na Boca, um projeto itinerante, ou um “móvel volante”, como lhe chamam, que leva mini panquecas artesanais e tábuas de charcutaria a qualquer ponto do País.
A ideia surgiu há cerca de um ano, num momento de pausa. “Fiquei em casa e comecei a pesquisar outras empresas, a estudar o mercado. Pensei em apostar num serviço virado para eventos como casamentos, batizados, aniversários, festas privadas e de empresas. Falei com o meu marido e arrancámos”, conta Marta Rabino à New in Évora.
Apesar do entusiasmo inicial, o projeto teve de ser colocado em pausa durante cerca de seis meses, para que Marta pudesse prestar apoio à mãe, que se encontrava doente. O verdadeiro arranque oficial da marca aconteceu entre abril e maio deste ano. “Foi num evento em Évora que as pessoas nos começaram realmente a ver e a perceber o conceito. Queriam o serviço para as suas festas e, felizmente, os pedidos não têm parado”, confessa a fundadora.
O foco do Água na Boca é a luta contra o desperdício alimentar. Nas festas de aniversário infantis, os pais compram sandes, sumos, salames, bolos de chocolate e salgados. No fim, a maioria dos miúdos prefere brincar a comer, resultando em dezenas de euros deitados ao lixo. Com este novo conceito, a realidade muda porque o Água na Boca cobra um valor por pessoa – que ronda os 10€ no caso de festas de aniversário infantis -, garantindo comida ilimitada durante as horas contratadas.
“Damos três a quatro horas de serviço, o tempo máximo em que a fruta fresca e a charcutaria aguentam nas melhores condições, sem estarem sujeitas ao calor. Durante esse tempo, as crianças e os adultos podem repetir as vezes que quiserem”, explica Marta.
A fundadora garante que este modelo acaba por compensar. “Dizem que 50 pessoas vão à festa, fazemos a estimativa de ingredientes exata para essas pessoas, preparamos tudo e não há desperdício alimentar”, sublinha.
Para os mais novos, o menu clássico é um sucesso garantido. Um “barco” com cinco mini panquecas artesanais fica por 6,50€ e inclui uma fruta fresca à escolha, um topping premium, cereais e guloseimas. Os morangos e o topping de chocolate são os favoritos.
Se o projeto começou por ser pensado para o público infantil, rapidamente Marta e João perceberam que os adultos ficavam igualmente rendidos. Por essa razão, decidiram lançar uma novidade exclusiva para maiores de 18 anos: as panquecas com álcool. “Tem sido um verdadeiro sucesso, uma novidade que deixa os adultos muito curiosos e rendidos”, revela Marta.
O casal prepara compotas caseiras – com ingredientes selecionados para não haver qualquer desperdício de fruta – às quais adiciona um toque de álcool. “A compota é colocada por cima das mini panquecas e, no fim, colocamos o licor. Ou seja, não fica ensopada em álcool, é apenas um aroma, algo muito suave”, garante a empreendedora.
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O menu “Experiência Adulta”, onde cada barco de cinco panquecas custa 7€, apresenta cinco combinações. Os clientes podem provar a Berry Velvet, com morango fresco, chocolate branco, creme de morango e gin pink, a Tropical Rum, com ananás fresco, topping de coco, raspas de lima e rum branco, a Banana Baileys, com banana fresca, creme de Baileys, avelãs crocantes e canela, a Passion Sunset, com manga fresca, sementes de maracujá e licor de maracujá com tequila e a Ruby Gin, com frutos vermelhos frescos com redução de gin tónico.
Para quem prefere opções salgadas, o carrinho também monta ao vivo mini tábuas de charcutaria, uma alternativa para casamentos ou eventos de empresas. Para já, o casal não tem ambição de abrir uma loja física. O encanto do Água na Boca está precisamente na sua mobilidade. “Seja em Évora, Beja ou Lisboa, agarramos no móvel e vamos onde o cliente quer, seja em casa, no exterior ou num hotel”, afirma Marta.
A versatilidade do serviço já lhes abriu várias portas. Recentemente, foram contactados por um casal de Braga que viajou até ao Alentejo para celebrar o batizado do filho no Hotel Mar D’Ar Muralhas, em Évora. “Quando recebi a mensagem, a senhora não tinha foto no perfil, não tínhamos seguidores em comum e até cheguei a pensar que era um perfil falso. Mas não, era bem real e queriam-nos lá”, recorda a fundadora.
A agenda de 2026 está a compor-se rapidamente. Além dos eventos no Alentejo, já garantiram presença no Family Day do colégio privado St. Peter’s School, em Palmela. O talento para a gastronomia parece correr nas veias da família, já que o sogro de Marta é o proprietário do restaurante Rabinos, em Santiago do Escoural.
Apesar das expectativas para o futuro serem ambiciosas, o casal diz que os pés continuam bem assentes na terra. A ideia, para já, passa por consolidar a marca passo a passo. “Começámos do zero, sem apoios. O grande objetivo a longo prazo é podermos deixar os nossos empregos na fábrica e dedicarmo-nos a este projeto a tempo inteiro. Crescer na hotelaria e nos eventos corporativos é o próximo passo”, conclui Marta Rabino.
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