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Este restaurante com uma torre secreta em Évora tem uma nova carta

A "Torre de São Manços" esconde uma das melhores vistas da cidade e, desde 2021, que Sandra Pinto e José Canhoto transformaram o edifício num espaço atípico.

Quem caminha pelas ruas do centro histórico de Évora e se aproxima da zona das Portas de Moura, na Rua da Misericórdia, depara-se com um edifício imponente do século XVI. É aqui que se instalou, desde 2021, o Nã T’acho, um espaço que se assume como um “restaurante atípico”.

Isto porque não há regras rígidas. “Não nos revemos num conceito único, num dia somos alentejanos puros a cozinhar migas de espargos com porco preto e, no dia seguinte, sugerimos um carpaccio de salmão marinado”. É assim que os responsáveis descrevem o espaço.

A história do restaurante começou quase por acaso. Sandra Pinto, de 43 anos, natural da Guarda, mas residente em Évora há duas décadas, e o marido José Canhoto, de 50 anos, eborense de gema, nunca tiveram a intenção de abrir um espaço próprio. A oportunidade aconteceu quando José decidiu estudar osteopatia já em adulto. “Estávamos nos Canaviais e ele precisava de um sítio para dar as consultas. Começámos à procura de uma casa com espaço para uma pequena clínica e encontrámos um edifício no Largo do Machete Velho”, recorda Sandra.

O que seria apenas uma clínica e habitação, rapidamente se transformou. Uma parte do edifício que estava arrendada ficou vaga, deixando um andar de 200 metros quadrados vazio. O espírito empreendedor falou mais alto e o casal criou o seu primeiro alojamento, a Lavradores Boutique Guesthouse, inaugurada em setembro de 2019.

O negócio estava a correr bem até que, em março de 2020, a pandemia os obrigou a fechar portas. Longe de baixarem os braços, Sandra e José tomaram uma atitude solidária e cederam a guest house e os apartamentos a profissionais de saúde a custo zero, cobrando apenas as despesas essenciais. Mais tarde, foi-lhes apresentado o edifício do século XVI onde hoje se encontra o restaurante. A ideia inicial era criar mais alojamentos, mas o destino tinha outros planos. Em 2021 nascia o Nã T’acho Restaurante Atípico.

A ideia inicial de Sandra era criar mais alojamentos, aproveitando os apartamentos já existentes sem descaracterizar o edifício histórico, mas José começou a sonhar com um restaurante no rés-do-chão.

“Durante muito tempo disse que não queria, já que os restaurantes para muitas famílias são uma prisão”, confessa Sandra, que na altura trabalhava a tempo inteiro na sua área de formação, a engenharia civil. O cenário mudou quando convenceram um primo do marido, chef de cozinha em Lisboa, a juntar-se ao projeto.

Com a garantia de que o primo assumiria a gestão diária do espaço, Sandra acedeu e o Nã T’acho foi inaugurado a 12 de outubro de 2021. Depois, a 23 de dezembro, o chef regressou à capital e, longe de baixar os braços, o casal encontrou o atual chef Chef José Baldé, que reorganizou a casa. O projeto cresceu de tal forma que Sandra abandonou uma carreira de 17 anos em engenharia para se dedicar a 100 por cento à gestão dos alojamentos, da clínica e do restaurante.

Sandra e José na torre | Foto: Fernando Vintém © Habitantes de Évora

Um dos grandes tesouros do Nã T’acho não se serve num prato, mas descobre-se ao subir as escadas. O edifício conta com uma estrutura conhecida como a “Torre de São Manços”, assim chamada por se dizer que, em tempos, dali se avistava a freguesia de São Manços. “Só a de Évora é que poderá ser um ponto mais alto. Daquela torre vê-se o nascer e o pôr do sol, num ambiente super privado e exclusivo”, sublinha a proprietária.

Este espaço não está aberto ao público como sala de refeições contínua, mas os clientes do restaurante são muitas vezes convidados a levar um copo de vinho até lá para terminar a refeição com uma vista panorâmica deslumbrante. Em dias especiais, organizam-se até provas de vinhos privadas na torre, com petiscos selecionados.

“Normalmente, convidamos sempre o produtor para vir apresentar os vinhos. Já fizemos com a Fita Preta, Aldeia de Cima, a Mainova, conta Sandra”. Há ainda a possibilidade de fazer jantares românticos, onde o menu é surpresa, totalmente personalizado de acordo com as preferências dos clientes. Custa 75€ por pessoa, com pairing de vinhos incluído. “O próprio chefe vai lá preparar os pratos, finaliza-os e serve-os lá em cima. Quem marca fica com um walkie-talkie para chamar se precisar de alguma coisa. É totalmente privado”, detalha Sandra.

Para aproveitar ainda mais o exterior, a esplanada do restaurante, com capacidade para cerca de 45 a 50 pessoas, sofreu recentemente melhorias. Foram instaladas novas estruturas para substituir os antigos chapéus de sol, criando um ambiente ainda mais acolhedor. No total, com a esplanada, a sala interior – ampliada recentemente – e uma sala de grupos no piso superior ideal para eventos – com capacidade para mais de 20 pessoas -, o restaurante acomoda dezenas de clientes e conta ainda música ao vivo todas as sextas-feiras.

Nova ementa

Com a mudança da estação, o Nã T’acho decidiu renovar a ementa, apostando em pratos mais leves e experiências imersivas. O grande destaque desta temporada é a corvina em pedra de sal (17,5€). O peixe fresco chega à mesa sobre um bloco de sal rosa dos Himalaias, aquecido previamente no forno e, à medida que se corta e come a corvina, o peixe absorve suavemente o tempero da própria pedra. A novidade nas entradas é a codorniz na frigideira (8,5€), além da tomatada à Nã T’acho (7,5€), uma espécie de bruschetta, que tem tido muito sucesso.

Os fãs de carne contam também com um armário próprio de maturação, onde as carnes frescas – provenientes diretamente de uma exploração em São Manços da raça Angus – ganham textura e sabor ao longo das semanas. “Compramos a carne fresca e maturamos nós, no mínimo 15 dias, podendo chegar aos 30”, sublinha. “Estamos a apostar neste verão nos maturados, também somos muito procurados por isso”, explica a responsável. Os cortes variam desde o pojadouro de novilho a 19,5€, vazia a 26,9€, até opções ao quilo, como entrecôte a 80€/kg, t-Bone a 70€/kg ou costeletão a 75€/kg.

Ainda assim, os clássicos que tornaram o Nã T’acho famoso continuam na ementa. O porco preto na grelha com migas de espargos (16,90€) continua a ser o prato estrela da casa. Outro ex-líbris é o bife à T’acho (17,5€), um naco de novilho regado com um molho secreto da casa, com uma fatia fina de presunto e um ovo estrelado, servido com batata frita caseira. “No inverno, aos sábados, quando fazemos o nosso cozido em panela de ferro na rua, já fomos procurados por clientes de Lisboa e de Viseu”, conta.

A carta inclui também uma novidade nas carnes de panela, a bochecha de vitela com puré de batata trufada (19,50€). “Na carta passada tínhamos bochecha de porco, que é o mais habitual. Desta vez apostámos na vitela e é um prato muito interessante”, garante Sandra. Para quem procura opções sem proteína animal, o risotto de cogumelos (15,50€) é uma escolha que combina os cogumelos com um toque de trufa.

E porque não há refeição que termine sem um doce, a secção da doçaria alentejana conta com a típica sericaia, que pode ser acompanhada pelas Ameixas d’Elvas (6,1€) ou com gelado das mesmas (5,8€) ou a tradicional sobremesa de mel e noz (5,5€), onde o mel de abelha se envolve com um crocante das nozes. Uma novidade fresca é a pavlova com gelado de nata (5,5€).

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo das Portas de Moura, Rua da Misericórdia, 9
    7000-654 Évora
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a Sábado:
  • 12h30 - 15h
  • 19h - 22h
PREÇO MÉDIO
Entre 20€ e 30€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Cozinha de Chef

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