A quase 400 quilómetros de distância do berço da francesinha, há agora uma nova casa onde é possível provar a pecaminosa sanduíche. Mas o acompanhamento é ainda mais entusiasmante: à mesa do novo espaço de Évora, encontram-se torneiras de cerveja bem fresca, que os clientes podem usar para se servirem a si próprios.
A Cervejaria À do Ó abriu portas a 8 de maio, na Rua de Aviz, e o nome não foi escolhido ao acaso. A ligação ao espaço nasce da proximidade à histórica Porta de Aviz, encimada pela Ermida de Nossa Senhora do Ó.
O conceito surgiu pelas mãos de Luís Louro, de 47 anos, proprietário do bar Culpa Tua, e do sócio Bernardino Dias, de 60. A ideia começou com uma paixão partilhada: francesinhas. “Nós os dois somos grandes adeptos de francesinhas”, conta Luís Louro. O problema é que sentiam falta de uma opção que realmente os convencesse em Évora. “Comem-se algumas francesinhas, mas nada que achássemos mesmo de alto nível”, explica.
Foi dessa vontade que nasceu o projeto. O objetivo inicial passava por criar uma receita equilibrada, pensada para agradar ao maior número possível de clientes. “Tentámos fazer umas francesinhas que fossem o mais consensuais possível, que toda a gente gostasse”, refere.
Com o desenvolvimento do restaurante, perceberam rapidamente que uma carta focada apenas em francesinhas seria limitada. “Achámos que só isso não teria pernas para andar, então começámos a pensar noutros petiscos”, revela. Foi precisamente nessa fase que surgiu uma das maiores atrações da casa: as mesas com uma torneira própria para que os clientes possam tirar as suas próprias imperiais.
Ao todo existem duas mesas equipadas, sendo que a cerveja é contabilizada ao litro e o sistema foi pensado para tornar a experiência mais prática e divertida. “A cerveja vem de depósitos ligados diretamente às bicas”, explica Luís Louro. Cada mesa tem um contador que é colocado a zero no momento em que os clientes se sentam.
Quem preferir o serviço tradicional também encontra várias opções na carta de bebidas, como a Lambreta (1,50€), cerveja de 20cl (1,80€), 40cl (3,60€) ou 50cl (4,50€). Na comida, a carta começa nos petiscos. Há bolinhas do Ó (6€), peixinhos do Ó (6€) e cachorrinho À do Ó (5€), preparado com salsicha fresca e molho de francesinha.
Para opções mais elaboradas existem croquetes de perdiz (10€), cogumelos com presunto (7€), queijo assado (6€), tábuas de enchidos ou mistas (14€) e pratos de marisco, como camarões À do Ó (14€), salteados em vinho do Porto e alho, ou camarão tigre (20€).

A francesinha continua, no entanto, a ser a grande protagonista da casa. O molho secreto foi pensado para fugir aos extremos e não é demasiado picante nem excessivamente doce. A versão tradicional leva bife de vitela, salsicha fresca, linguiça, queijo e fiambre (13,50€). Existe também a francesinha de vitela (18€), a marítima (15€), com cogumelos, ananás grelhado e camarão, e a francesinha À do Ó (15€), inspirada nos sabores alentejanos e preparada com carne assada e produtos regionais.
Há ainda uma alternativa vegetariana, feita com hambúrguer de grão, cogumelos e beringela grelhada (13,50€), além da versão mais pequena, a meia francesinha de vitela (8€).
Apesar da forte aposta nas francesinhas, a carta inclui opções como bife Wellington de lombo em massa folhada (25€), naco na pedra de lombo de vitela (20€), servido a fumegar, polvo À do Ó (18€) e bacalhau À do Ó (22€), acompanhado por miga de broa, couve e chouriço.
Também há propostas mais tradicionais, como pica-pau de lombo de vitela (18€), pica-pau de atum (15€) e bitoques de vitela (10€) ou porco (8€). Nas sobremesas, pode escolher entre o doce do Ó (4€), preparado com natas, leite condensado e cookies de chocolate, mousse de chocolate (4€) ou bolo de requeijão (5€).
O restaurante tem atualmente 30 lugares no interior e mais 15 na esplanada. E o balanço das primeiras semanas não podia ser mais positivo.
“Acho que Évora é uma cidade aberta a estas experiências novas. Se as coisas tiverem qualidade, as pessoas voltam, falam umas com as outras e não vejo motivo para o negócio não resultar”, admite Luís Louro.
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