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Na nova gelataria de Évora, pode escolher os sabores e a quantidade que quiser

Aos 50 anos, Gabriela concretizou o sonho de trazer os sabores tradicionais de Itália para o Alentejo.

A história da nova gelataria de Évora começou a desenhar-se muito antes da sua inauguração, a 15 de maio deste ano, do outro lado oceano Atlântico até às memórias de infância de Gabriela Maculan. Natural do estado de São Paulo, no Brasil, a empreendedora de 50 anos cresceu num ambiente onde a gastronomia não era o pilar da família.

Com avós de origem italiana, portuguesa e polaca, os almoços de domingo eram momentos sagrados onde a família se reunia à volta da mesa. “Cresci a ver a minha avó a fazer massa caseira, sobremesas e gelados”, recorda. “Ela fazia muitas sobremesas italianas, mas também gelados caseiros. Não era nada profissional, era só para os almoços de domingo”, acrescenta.

No entanto, a mudança para Portugal não estava ligada a este universo dos gelados. Formada em gestão, Gabriela trabalhou durante 16 anos na área financeira de uma construtora no seu país natal. Após o divórcio, em 2013, sentiu a necessidade de refazer a vida do zero. Entre 2015 e 2016, começou a estruturar uma viagem para passear e estudar noutro país, de forma a alargar horizontes.

A oportunidade de acompanhar a filha, que na altura vinha estudar para Portugal, levou-a a atravessar o Atlântico. Escolheu o País não só devido à sua ascendência por via materna, mas também para que a filha não sofresse um choque cultural muito forte numa nova realidade. Acabou por se apaixonar pela região e estabeleceu-se por cá, onde vive já há quase dez anos. Atualmente, os dois filhos, de 28 e 22 anos, já não moram consigo.

Apesar da sua experiência em gestão financeira, a integração no mercado de trabalho português revelou-se um desafio. “A ideia da Gelati Roma surgiu porque não conseguia encontrar trabalho na minha área. E com a minha idade já não era tão simples”, confessa, revelando que a sua veia empreendedora acabou por ditar o futuro.

Depois de analisar e descartar vários planos de negócios noutros setores que não se revelaram financeiramente viáveis, olhou para a cidade com outros olhos e percebeu que havia uma lacuna no mercado. “Évora era carente de gelatarias”, notou na altura, referindo-se ao gelado natural italiano que tão bem conhecia das suas raízes.

O projeto começou a ser delineado há cerca de seis anos, mas enfrentou um longo processo burocrático. O espaço idealizado, na Rua Miguel Bombarda, número 27, mesmo junto ao Largo Álvaro Velho e à Pousada da Juventude, exigiu muita resiliência, dado que o edifício necessitou de ser totalmente remodelado. Durante esta longa espera para conseguir estabelecer o ponto de venda, Gabriela não cruzou os braços e investiu na sua formação técnica no mundo da gelataria.

Fez dois cursos dedicados à produção artesanal, um no Rio de Janeiro e outro em Itália. Ainda assim, a proprietária já tem agendadas mais duas formações até ao final deste ano, a realizar em Lisboa e novamente em território italiano, com o objetivo de aperfeiçoar técnicas em gelados 100 por cento naturais.

Dos sorbets aos gelatos com ingredientes naturais e receitas antigas

Quando as portas finalmente se abriram antes deste último verão, o conceito da Gelati Roma estava decidido em resgatar a autenticidade das tradicionais gelatarias de bairro italianas, valorizando ingredientes naturais e receitas antigas. A escolha do nome não foi fruto do acaso e resume a dupla identidade que envolve o projeto. “Escolhi gelato porque identifico-me com a cultura italiana e Roma porque tem tudo a ver com a história e influência romana de Évora”, explica.

A grande diferença desta nova gelataria em relação ao mercado tradicional está na confeção diária, garantindo Gabriela que não utiliza conservantes, químicos ou bases pré-fabricadas. “O gelado é feito com leite do dia, fruta natural picada e não inclui aqueles pós já prontos”, sublinha. Esta filosofia de trabalho divide as suas produções em duas categorias artesanais: os sorbets, feitos exclusivamente à base de água e fruta fresca, e os gelatos, confecionados com uma base de leite.

Na vitrine da Gelati Roma é possível encontrar, todos os dias, 20 sabores diferentes, apenas uma pequena seleção retirada de um livro de receitas que conta com mais de 80 opções criadas e testadas pela fundadora. Entre as cubas, existem presenças obrigatórias que faz questão de manter fixas, como o chocolate, morango, baunilha, limão, pistacho e gianduia.

Para se perceber o grau de exigência, o gelado de pistacho é elaborado a partir do próprio grão triturado em pasta, e a gianduia mistura o doce do chocolate com a avelã numa base cremosa de leite.

No entanto, são as combinações surpreendentes que mais têm fidelizado os eborenses. O grande sucesso da Gelati Roma é o gelado de natas com manjericão, um sabor muito pedido e elogiado. Para atenuar os dias mais quentes do Alentejo, há opções como lima com hortelã ou framboesa com lima e hortelã, sem esquecer a manga que, garante, nunca pode faltar na oferta.

A rotação das restantes cubas depende da época do ano e da qualidade dos produtos encontrados no mercado, sendo esse o segredo de um produto 100 por cento artesanal. A própria manga, como explica Gabriela, pode ditar a doçura e até a tonalidade do gelado consoante a semana em que é adquirida. Há ainda espaço para invenções, como a romã – a grande novidade deste mês -, pera rocha, zabaione, amora, o novo sabor de torrão e o gelado de ricota com figo.

A pensar nas intolerâncias a certos alimentos, existem opções sem glúten e sem lactose. Por exemplo, o chocolate negro puro, o fondente, é construído à base de água, garantindo o sabor intenso do cacau sem colocar em causa qualquer restrição alimentar.

O formato de venda é outra das surpresas. Ao contrário das típicas bolas, aqui o gelado é comercializado por tamanho. O cliente escolhe se prefere saborear o produto num copo ou num cone, e de seguida, opta pelo tamanho que quer (a partir de 4€): pequeno, médio ou grande. A partir daí, a liberdade de escolha é total. “Pode colocar os sabores que quiser e a quantidade que quiser”, esclarece Gabriela.

Contudo, a fundadora deixa uma dica de especialista aos mais gulosos: para não comprometer a estrutura da sobremesa e conseguir identificar no paladar cada ingrediente, aconselha um limite razoável de três sabores no cone ou quatro no copo.

Para garantir que a dimensão da loja no centro histórico não compromete a qualidade e a logística, a produção diária de toda esta oferta acontece num espaço situado na zona industrial de Évora. É a partir de lá que as cubas seguem para a Rua Miguel Bombarda e para a esplanada, que convida os visitantes a deixar o tempo passar enquanto saboreiam o seu gelado.

Abertura de uma segunda loja ainda em segredo

Atualmente a funcionar das 12 às 23 horas, todos os dias sem pausas, o espaço prepara-se para adaptar o horário à chegada do inverno. Mas as temperaturas mais baixas não assustam a fundadora, que já está a desenvolver em laboratório produtos novos e diferenciadores, prometendo introduzir opções inéditas em breve.

O sucesso dos primeiros meses fez com que apostasse na abertura de uma segunda loja, num ponto estratégico da cidade, que Gabriela prefere guardar em segredo até ao dia da inauguração.

Simultaneamente à loja física, a marca começou a apostar na presença em eventos com um carrinho de gelados, tendo já fechado uma parceria com o Convento do Espinheiro. Através desta colaboração, os noivos podem adoçar as festas de casamento com gelado artesanal, existindo já pacotes fechados para 100 ou até 150 convidados. As reservas para estes serviços podem ser feitas através dos responsáveis do espaço hoteleiro ou por intermédio das redes sociais e do e-mail da gelataria.

Se no Brasil, os primos de Gabriela perpetuam o legado da família, seja através das padarias com pães italianos, em importadoras e negócios dedicados aos vinhos europeus, no Alentejo é ela que lidera essa responsabilidade através da Gelati Roma.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos sabores à disposição na nova gelataria da cidade.

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