Quem passa pelo Largo da Porta de Moura, no centro histórico de Évora, esbarra imediatamente com o novo spot da cidade, o recém-inaugurado Café Bar & Wine Garden da Oficina Fermento. E apesar de o espaço ter aberto portas a 8 de maio, a história começou a ser desenhada em 2022.
A ideia surgiu de cinco amigos que já partilhavam experiências de trabalho noutras entidades, sobretudo em associações juvenis. “Queríamos fazer um projeto novo, numa vertente nova e, neste caso, escolhemos o modelo das cooperativas, mais concretamente uma cooperativa de solidariedade social”, explica Ana Rita Silva, de 30 anos, um dos rostos do projeto. O principal objetivo passa por encontrar formas de servir a comunidade, promover o desenvolvimento pessoal e profissional do grupo e “fazer crescer o Alentejo”.
O que começou com cinco fundadores conta atualmente com 14 membros, todos de áreas bastante diferentes. Da arquitetura ao design, passando pelo desporto, artes visuais e sociologia, a equipa multidisciplinar juntou-se para criar respostas às necessidades da região. O público-alvo da cooperativa inclui crianças e jovens com necessidades educativas específicas, famílias, idosos e jovens adultos. Para isso, trabalham em parceria com entidades como a Câmara Municipal de Évora, a União de Freguesias do Centro Histórico, a Universidade de Évora, o Hospital e o Centro de Respostas Integradas.

A abertura do café representa o passo mais recente deste percurso e surgiu através de uma candidatura ao programa Alentejo 2030, sob o mote da “inclusão pela cultura”. A proposta aprovada previa a criação de um café-bar, que funciona também como Wine Garden e assume simultaneamente o papel de ponto de encontro e motor financeiro do projeto. “Vai servir também para angariar receita, para conseguirmos desenvolver depois a parte cultural do espaço, que irá abrir mais tarde”, explica Ana Rita.
Outra das preocupações da equipa passa por manter um equilíbrio nos preços praticados pelo Café Bar & Wine Garden da Oficina Fermento em relação à restante oferta do centro histórico. “Não queremos entrar em competitividade com nenhuma pastelaria, café ou serviço que existe aqui ao lado. Queremos ser complementares e, portanto, os preços nunca poderiam ser nem acima nem abaixo de tudo o que já existe”, sublinha Manuel Marchante, de 34 anos, outro dos responsáveis pelo projeto. A ideia passa por garantir que o espaço continua acessível aos habitantes locais.
Essa preocupação também se reflete na decisão de oferecer água da casa gratuitamente. “Achamos que a água devia ser oferecida, tal como o velho ditado português que diz que não se nega água a ninguém”, afirmam os responsáveis, que optaram por abdicar da margem de lucro associada a este produto.
A carta de bebidas reflete outra das preocupações da cooperativa: a saúde pública. Devido ao trabalho diário desenvolvido com jovens, estudantes universitários e utentes do CRI, decidiram excluir refrigerantes e bebidas energéticas do menu. Em alternativa, apostam em sumos naturais, como o sumo de laranja (3,50€) e o sumo natural do dia (4€), além de chás (2€).
Mas sendo este um Wine Garden, o vinho ocupa naturalmente um lugar de destaque, sobretudo pela parceria exclusiva com a Cartuxa, patrocinadora do espaço. Os clientes podem pedir um copo de EA branco, tinto ou rosé por 3,50€ ou optar por garrafas como o Foral de Évora DOC Alentejo (12€) ou o Cartuxa (27€). Já nas bebidas espirituosas, encontram-se opções como o gin Sharish (desde 9€) e o licor de poejo (5€).
A ementa está dividida em várias secções pensadas para diferentes momentos do dia. Na categoria Pão & Companhia destacam-se a torrada em pão alentejano (2,50€), a tosta mista alentejana (5,50€) e propostas mais contemporâneas, como a bruschetta de pasta de grão e queijo (5,80€) ou as panquecas de aveia e banana (6€).
Com uma equipa tão diversificada, onde há pessoas vegetarianas e alérgicas ao glúten, a carta foi desenhada para não excluir ninguém. Para refeições mais completas, existem opções como a sopa do dia (2,50€), a bowl vegana (9,50€), com folhas verdes, leguminosas, sementes e molho da casa, ou a bowl Oficina (11,50€), que permite escolher entre atum, frango desfiado ou presunto. Já para os finais de tarde na esplanada, há petiscos como tremoços (2,50€), azeitonas temperadas (3€), enchido no porquinho (7€) e uma tábua mista (16€) com queijos, enchidos, compotas e pão alentejano.
Mais do que um espaço para consumir, o objetivo passa por criar um local pensado para “estar e apreciar”. Todos os meses, o café promove uma atividade artística por 7,50€, valor que inclui uma bebida e os materiais necessários. Atualmente, os clientes podem pintar peças de barro que depois ficam no espaço para serem levadas ao forno e recolhidas mais tarde, criando uma ligação entre o visitante e o café.
E se atualmente o projeto já inclui todas estas valências, o próximo passo será a abertura do Estúdio Criativo, prevista para este verão. O novo espaço funcionará como hub cultural, equipado com rodas de oleiro, forno de cerâmica, mesas de arquitetura, pintura e azulejaria, além de uma área de cowork. O estúdio será totalmente adaptado a pessoas com mobilidade reduzida, permitindo acolher atividades de ATL e campos de férias inclusivos que a Oficina Fermento já dinamiza.
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