Há um novo restaurante no centro histórico de Évora que valoriza o conceito de partilha de petiscos e que inclui na carta pratos de caça. O Cellarium, o novo projeto de Eugénia e Gonçalo Queiroz, de 44 e 40 anos respetivamente, foi inaugurado na passagem de ano, na parte judaica da cidade, num espaço onde chegou a funcionar uma antiga adega, detalhe que acabou por dar o nome ao projeto.
A localização é um dos pontos altos do espaço situado a poucos metros da Praça do Giraldo. Desta forma, o Cellarium consegue um equilíbrio difícil entre a proximidade aos principais serviços e pontos turísticos, com o sossego necessário para uma refeição tranquila.
“Para quem prefere algo mais recatado, anda a meia dúzia de passos e parece estar na outra parte da cidade”, explicam.
Antes da abertura oficial, o casal optou por uma fase de soft opening discreta. “Abrimos, mas não dissemos a ninguém para ver se alguém entrava. Quisemos testar o restaurante, perceber se estava a funcionar, ou se era necessário alterar alguma coisa. E para treinar o pessoal”, explicam à New in Évora.
O resultado foi uma agradável surpresa, com os primeiros clientes a dividirem-se entre conhecidos curiosos e desconhecidos que se deixaram cativar. “Ficam muito surpreendidos com uma porta tão pequena e o que é que se passa de tão grande aqui dentro”, confessa Eugénia.
A homenagem a Santo Humberto
Ao contrário do registo mais formal que o casal explorou no seu outro restaurante na cidade, o Origens – que renovou recentemente a sua presença no Guia Michelin -, o Cellarium aposta num ambiente descontraído onde o foco é a partilha, com pratos entre os 4€ e os 15€, permitindo aos clientes provar um pouco de tudo.
“A ideia é que as pessoas possam pedir mais de dois ou três pratos para irem petiscando. E como o espaço é bastante acolhedor, é possível passar um serão a comer e a beber com os amigos”, sublinha Gonçalo.
Para começar a refeição, a carta sugere opções como uma sopa de mogango com feijão (4€), patanisca de polvo (8€) ou gambas salteadas com coentros e alho (13€), apesar da ementa se destacar pela ligação à caça, uma homenagem a Santo Humberto, o padroeiro dos caçadores.
Entre as opções mais populares encontram-se o lombo de veado (15€), as codornizes em vinho do Porto (12€), o javali com puré de cenoura (15€) e o arroz de perdiz (15€).
Mas a carta não se esgota na caça porque há clássicos como o rabo de boi com grão (15€), o bacalhau com migas de coentros (15€), o queijo de ovelha gratinado (12€) e os ovos rotos (14€). O “À brás de farinheira” (14€) é outra das estrelas da casa, um prato que a própria Eugénia elege como o seu favorito.
“Pensamos sempre nos pratos com as porções para partilhar, mas também temos que ser generosos”, garante Gonçalo, ao que Eugénia acrescenta: “Com uma dose de farinheira já fico almoçada”.
A pensar num público cada vez mais diversificado, o restaurante garante opções variadas, com pratos vegetarianos e sem glúten, como o arroz malandrinho de cogumelos (13€) e as pataniscas de legumes (8€), cuja receita da massa é totalmente vegan e livre de alergénios.
Almoços, sobremesas ao balcão e menus para estudantes
Ainda a pensar em várias formas de atrair clientes, o espaço lançou recentemente um menu de almoço diário por 16€ com sopa, prato principal, sobremesa e uma bebida. No entanto, o pormenor de as sobremesas serem apresentadas de forma misteriosa tem chamado à atenção e levado os clientes a visitar o espaço apenas para provar as diferentes propostas.
Pode optar por um Pijama – uma degustação de vários doces por 20€ -, a opção Conventual (6€) ou a de Chocolate (7€). “Quem quiser também pode vir apenas para comer uma sobremesa. Não é preciso ir a um restaurante e pedir apenas os pratos principais. Podem vir só comer um doce”.
No entanto, uma das grandes inovações do Cellarium aposta na comunidade estudantil. O restaurante lançou um menu de takeaway exclusivo para estudantes – mediante apresentação do cartão -, com preços acessíveis, a oscilar entre os 6€ e os 8€.
A única regra? É necessário levar a própria marmita. A oferta varia entre o arroz de pato ou perdiz (8€), croquetes de vaca com arroz (6€), bifana com batata ou arroz (7€) e até os famosos ovos rotos (8€). Quem não trouxer um recipiente, para o valor da embalagem (1€).
“É mais fácil eles virem buscar comida. E queremos ajudar as mães, para os mais jovens tenham acesso a comida de conforto em vez de fazerem refeições de fast food”, revela Eugénia.
Jogos com vinhos e descanso para os pais
Para os pais que procuram uma refeição mais descansada, o Cellarium pensou em tudo. Este é um espaço kid-friendly, disponibilizando brinquedos, uma mini-cozinha com tachos e panelas para os “mini-chefes”, tablets e papel para desenhar, garantindo que os miúdos se entretêm e desligam os ecrãs.
“Temos três filhos, por isso sabemos que é difícil entreter os mais novos”, brincam os proprietários. Para os miúdos até aos 12 anos, a carta inclui pratos como o hambúrguer kidz ou o esparguete à bolonhesa, ambos a 12€.
Para os adultos, o restaurante funciona também como garrafeira, vendendo vinhos exclusivos. E é aqui que entra o Wine Game, uma experiência de teambuilding aberta a grupos a partir de quatro pessoas. Por 15€, os clientes fazem uma prova cega didática entre duas equipas, acompanhada de petiscos. No final, o valor reverte na totalidade para a compra de uma garrafa da garrafeira.
“Acaba por ser um jogo educacional, onde as pessoas podem aprender um pouco mais sobre vinhos perceber que têm aromas diferentes”, detalha o casal.
Para os próximos tempos, Gonçalo e Eugénia revelam que podem existir novidades no Cellarium, sem adiantarem detalhes. O restaurante está aberto de terça-feira a sábado para almoços, das 12h30 às 15 horas, e jantares, das 19 horas às 22 horas na Rua da Moeda nº 39.
Carregue na galeria para conhecer o novo restaurante.

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