Évora acaba de ganhar uma nova paragem obrigatória para os fãs da boa gastronomia, com um formato ideal para os ritmos modernos. Há um recanto recém-inaugurado que promete conquistar tanto os eborenses de gema, como quem deambula pelas ruas do centro histórico e procura um conceito inovador que convida a uma pausa para beber um copo de vinho acompanhado por uma tapa do presunto cortado na hora.
Para compreender a história do que agora se serve neste novo formato, é preciso recuar no tempo e contar a rota do projeto. António Morais, o jovem de 18 anos que dá a cara pelo negócio e ajuda a gerir os destinos do projeto familiar, explica com orgulho as raízes da marca. O projeto arrancou pelas mãos dos avós paternos em 1996, no concelho vizinho de Arraiolos, tornando-se rapidamente uma referência gastronómica.
Apesar de o espaço original continuar a funcionar, a gestão tomou outro rumo. “Cedemos a exploração há cerca de dois anos a uma equipa, que eram nossos funcionários, e ficaram eles a gerir”, revela o jovem.
No entanto, a ambição da família e a vontade de chegar mais longe ditaram uma expansão. Há cerca de nove anos, decidiram dar um passo em frente e instalaram-se em Évora, com um restaurante que não parou de crescer. A ideia original para a cidade, conta António, era muito clara desde o primeiro minuto:
“Viemos para Évora com a ideia de abrir um restaurante onde vendêssemos leitão, não trazido de Arraiolos, mas construindo fornos em Évora”. A localização, fora do centro histórico, teve uma razão prática: “Estamos nesta zona, que não é exatamente dentro de muralhas, por causa das limitações das chaminés”, esclarece.
Com o passar dos anos, a carta do restaurante desenvolveu-se para oferecer mais de 20 pratos, mas o desejo de inovar e de estar mais próximo da zona histórica exigia um formato diferente. O Parque dos Leitões ao Balcão é a resposta a um público que procura refeições práticas, sem abdicar da herança da marca.
“É um espaço muito pequeno, intimista, tem apenas lugares ao balcão e uma pequena esplanada quando o tempo o permite”, descreve o jovem. O conceito inovador não tem cozinha própria, funcionando em sintonia com o restaurante principal, de onde chegam os pratos já confecionados, sendo apenas finalizados e harmonizados à frente do cliente neste novo balcão.
Curiosamente, um dos propósitos deste novo espaço é servir de ponte para dar a conhecer a casa mãe. “Por incrível que pareça, ao fim de nove anos, ainda há pessoas de Évora que não conhecem este restaurante”, confessa António, acrescentando que a estratégia passa por atrair quem visita a novidade no centro da cidade:
Neste novo recanto do Parque dos Leitões, a especialidade da casa mantém o seu protagonismo. “O leitão é rei e está sempre em destaque. Está no restaurante e aqui também”, sublinha António, recordando que a iguaria também pode ser pedida à dose e degustada ao momento.
Parque dos Leitões, mas com Sandes e tibornas
Porém, o menu foi desenhado para ir mais longe e adaptar-se à rua. Para uma refeição mais leve, há sandes de leitão e de bochecha de porco preto, inspiradas nos sabores do clássico Parque dos Leitões, mas apresentadas de uma forma diferente. O menu completo da sande de leitão, acompanhada com batatas fritas e bebida, fica por 13,60€, existindo a versão de bochecha de porco preto de bolota com o mesmo valor.
A oferta foi pensada para surpreender o paladar através de opções focadas na partilha. As tibornas, servidas sobre um pão de massa mãe, assumem-se como as novas estrelas. António destaca o sucesso destas criações: “Estamos a trabalhar com dois pratos, que estão a funcionar muito bem: a tiborna de enguia fumada e uma tiborna que todo o alentejano gosta, com toucinho e alho picado”.
O espaço serve ainda tábuas e tapas de queijos selecionados, presunto curado e uma variedade de enchidos de porco preto. E se quiser algo mais irreverente, pode optar pelo Brioche de borrego, com a carne assada lentamente a baixa temperatura, disponível por 5,50€.
O segredo do famoso leitão é um dos maiores motivos de orgulho da família e o pilar de todo o projeto. Para garantir a mestria no assador, Lúcio, o eterno “homem do forno” e primo da família, deslocou-se propositadamente à Bairrada há vários anos para aprender todos os truques, preservando a técnica até aos dias de hoje.
A confeção exige paciência e muito rigor. Como explica o jovem responsável, o leitão “não se assa em 20 minutos, leva à volta de três horas. Fora o tempo da preparação que é preciso, pois tem de ser temperado”. A isto junta-se o detalhe da origem do animal: “A raça do leitão é fundamental pois faz diferença no produto final, no estaladiço da pele”.
O resultado é tão surpreendente que António acha que “não há diferenças significativas entre o nosso leitão e o da Mealhada. Está ao mesmo nível. Este compromisso com a qualidade é tão sagrado que, durante épocas festivas de grande afluência como o Natal, a casa vê-se obrigada a recusar encomendas adicionais de leitões apenas para assegurar o seu padrão.
A escolha da localização para esta nova abertura não aconteceu por acaso, respondendo a uma vontade antiga da família. A intenção era testar a força do conceito dentro das muralhas da cidade, numa das artérias de maior tráfego pedonal, cativando também o turismo.
No entanto, o negócio nunca se desvia dos locais. “Trabalhamos sempre a pensar no público eborense. Os turistas são bem-vindos, mas temos que trabalhar com quem está connosco todos os dias. E é com esses que temos que ter particular cuidado, porque são eles que vão e voltam”, defende António.
O restaurante tem projetado uma imagem muito característica na região, servindo até como cenário de eleição para a gravação de um videoclipe do grupo eborense Vizinhos.
Para António Morais, que sempre acompanhou o trabalho das cozinhas do Parque dos Leitões, estar a dar a cara pelo projeto é a continuação de um legado familiar. “Desde pequenino ia para o restaurante de Arraiolos com a minha avó. Sempre gostei de ajudar os meus familiares”, recorda o jovem.
Hoje, com 18 anos, procura retribuir tudo o que tem recebido de quem lhe ensinou a arte de bem receber. “É sempre recompensante saber que estou a ajudar. Não é pela parte monetária, nunca vai ser. É mais sobre o que posso dar para reconhecer isto como meu”, confessa, sublinhando que não abdica de pôr as mãos na massa nos dias de maior movimento para garantir que o cliente sai com um sorriso.
A abertura do Parque dos Leitões ao Balcão marca o arranque de uma nova fase. “Crescer é sempre motivador”, refere António, que sublinha a importância de continuar a inovar a carta e o espaço para que cada pessoa que atravesse a porta saia cada vez mais satisfeita e regresse com vontade de provar as novidades.
“Trabalhar com matérias-primas de qualidade é fundamental para um prato ficar bom. Não se pode baixar à qualidade”, acrescenta António. Sobre o futuro e a possibilidade de abrir portas noutras paragens, prefere manter os pés na terra e dar um passo de cada vez: “Para já não estamos a pensar nisso. Porque quando abrimos um novo espaço ele tem que crescer, tem que consolidar antes de irmos para outros voos. Mas é sempre uma possibilidade”.
Carregue na galeria para conhecer o Parque dos Leitões ao Balcão.








