Nos últimos tempos, as redes sociais têm sido invadidas por uma tendência que atravessou o Atlântico diretamente do Brasil para a Europa. Os famosos Festivais de Fatias, eventos com bolos altos, visualmente impactantes e recheados de forma generosa, permitem provar diferentes sabores sem ter de investir num bolo inteiro.
O conceito, que tem provocado romarias noutras cidades, chega agora a Évora pelas mãos de Eliane Charrua com o seu projeto “Feito por mim Eliane”.
Com 43 anos e natural do Brasil, adotou Portugal como a sua casa há já 25 anos. Mas a carreira no mundo da gastronomia não começou logo na doçaria. Quando chegou ao nosso País, a sua especialidade eram os salgadinhos. Contudo, a paixão pela culinária sempre esteve presente de forma profissional, mas foi a vontade de explorar novas vertentes que a levaram a aventurar-se no universo da pastelaria.
O projeto “Feito por mim Eliane” só chegou às redes sociais em 2021, mas a verdade é que as suas criações já faziam as delícias de amigos, familiares e clientes graças às recomendação boca a boca. “Fui aprendendo e às vezes vou modificando as receitas”, conta à NiE.
Percebendo que a tendência dos Festivais de Fatias podia fazer sucesso cidade alentejana, Eliane decidiu que era altura de deitar mãos à obra. O seu 1º Festival de Fatias em Évora está agendado para o próximo sábado, dia 20 de junho.
O evento arranca a partir das 9 horas, no Salão Maria Cabeleireiros, localizado no número 126 da Avenida dos Salesianos, na zona da Senhora da Glória, perto do supermercado Pingo Doce.
O evento vai decorrer numa varanda na parte de fora do espaço, dado que Eliane mora numa área que fica um pouco mais afastada do centro da cidade. “Como o cabeleireiro é de uma amiga, vamos unir forças”, partilha a confeiteira.
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Mas afinal, o que torna estes bolos tão especiais e o que os diferencia da doçaria a que os eborenses estão habituados? A resposta está na estrutura das camadas e no sabor. “Para mim, a diferença é que os bolos portugueses são mais conventuais e os brasileiros têm mais recheio. Quase todos levam leite condensado”, diz, entre risos.
É esta abundância de recheio, as massas húmidas e os sabores fora do habitual que têm feito tanto sucesso. Ainda assim, a pasteleira faz questão de não esquecer as tradições do País que a acolheu há mais de duas décadas. Por isso, além das receitas brasileiras, também prepara clássicos nacionais. “Faço bolos de mel e noz, bolo de bolacha e vários bolos portugueses”, revela.
Para este primeiro evento dedicado às fatias, o menu promete dificultar a escolha. Embora a produção exata e as contas aos bolos ainda estejam a ser afinadas para garantir frescura dos produtos, Eliane já levantou o véu sobre alguns dos protagonistas que vão estar disponíveis para provar.
A escolha vai ter de ser feita entre Red Velvet, bolo de abacaxi com coco e uma opção de limão. Para os fãs de cacau, a grande atração será o bolo Matilda, descrito pela criadora como um bolo “chocolatudo”.
A inclusão é também uma prioridade para Eliane. Consciente de que muitos evitam estes eventos devido a intolerâncias e restrições alimentares, a pasteleira garantiu opções seguras. Haverá um bolo confecionado especialmente para ser isento de glúten, neste caso o bolo de limão, bem como opções sem lactose, assegurando que todos possam saborear uma boa fatia, que terá o valor fixo de 5€.
Contudo, o trabalho desta profissional vai muito além dos Festivais de Fatias. O seu talento é frequentemente requisitado para celebrações familiares, como festas de aniversário e até a eventos de maior escala, como casamentos, batizados e primeiras comunhões.
A confeção de um bolo de casamento, confidencia Eliane, traz sempre um nível de exigência e nervosismo. “Tem que ser um bolo mais estruturado, que aguente a temperatura do dia. Por isso, há sempre uma responsabilidade maior”, reflete a confeiteira, cujo portefólio inclui ainda salgados, doces de colher e brigadeiros.
Atualmente, a rotina de Eliane é feita de muita organização, dado que o seu tempo é dividido entre as horas dedicadas à paixão da pastelaria e o emprego enquanto cozinheira profissional. A longo prazo o objetivo é continuar a expandir o seu negócio doce para, no futuro, poder focar-se a cem por cento na marca que criou. “Gostava de conseguir viver só da pastelaria”, confessa.
Embora admita o nervosismo de quem se lança numa primeira edição de um formato diferente, a confiança na qualidade do produto é o seu maior trunfo. “Estou confiante que vai correr tudo bem e que vou fazer outras edições”, assegura.
Carregue na galeria para conhecer algumas das criações de Eliane.








