Quem entra na Rua Dom Augusto Eduardo Nunes, junto ao hospital de Évora, encontra uma nova paragem obrigatória para os fãs de doces. A Doce Caiçara abriu a 4 de julho, mas a história do projeto começou muito antes, quando Jéssica Maiara trocou o Brasil pelo Alentejo há cerca de quatro anos.
Natural do Guarujá, no estado de São Paulo, a brasileira de 29 anos chegou a Portugal com um contrato de trabalho na restauração. O primeiro emprego foi num restaurante do Évora Plaza, sem imaginar que, poucos anos depois, abriria a própria confeitaria.
O nome Doce Caiçara é uma homenagem às suas origens. “Quem nasce no Guarujá é caiçara. Quis trazer um pouco da essência da minha cidade para não esquecer as minhas raízes e englobá-las na minha marca”, explica. A confeitaria, porém, não fazia parte dos planos. No Brasil trabalhava em supermercados e o único doce que costumava preparar era um “bolo de cenoura muito simples” para os aniversários dos irmãos. “Eu nem sabia que sabia fazer bolos”, confessa.
A mudança aconteceu já em Portugal, quando trabalhava noutro restaurante. Sempre que podia, trocava o atendimento ao público pela cozinha para ajudar a cozinheira de serviço. Foi aí que aprendeu a preparar salgados e aperfeiçoou as técnicas de pastelaria. Incentivada pelas colegas, começou a vender os primeiros bolos. “Fiz um, fiz outro. Entretanto, saí desse trabalho e perguntei-me: ‘o que é que eu vou fazer da minha vida?’. É aquilo que eu digo sempre: o conhecimento nunca é demais. Se estivermos dispostos a aprender, as coisas acontecem. Aprendi uma coisa que não sabia fazer e hoje é o meu trabalho a 100 por cento”, conta.
Antes de se dedicar exclusivamente à Doce Caiçara, em novembro do ano passado, conciliou a produção de doces com um emprego a tempo inteiro. Saía do restaurante às 19h30 e passava a madrugada a preparar bolos em casa. Enquanto o marido assegurava a estabilidade financeira, Jéssica apostava na divulgação do negócio em grupos de WhatsApp de Évora. “Havia dias em que vendia, outros em que não vendia nada. Mas eu suportei o processo.”
A marca ganhou outra dimensão com o Festival de Fatias, um conceito popular no Brasil que queria trazer para Évora. Sem espaço próprio, parecia impossível. Depois de várias tentativas, falou com Sabrina e Luís, proprietários do Açaí Connect, que aceitaram receber o evento. “Eles abraçaram a ideia e disseram-me que podia fazer o festival lá. O meu mundo abriu-se, como o sol de Évora. Se não fossem eles, não teria ganho esta proporção”, garante. Na altura, tinha apenas 294 seguidores nas redes sociais.
O sucesso foi imediato. Na primeira edição vendeu 80 fatias de bolo em apenas uma hora e 20 minutos. Na segunda, vendeu o equivalente a 160 fatias, distribuídas por 16 bolos inteiros, em pouco mais de duas horas.
O mais surpreendente é que toda esta produção foi feita com um mini-forno doméstico. “Fiz os festivais todos com um mini-forno. Não é um forno de fogão, é daqueles muito simples, onde só cabe uma forma de cada vez. Ou seja, se eu fizer 16 bolos, tenho de bater as massas separadamente e assar uma a uma. Leva muito, muito tempo”, revela.
Agora, a empreendedora já tem um espaço próprio e prepara-se para receber a quarta edição do Festival de Fatias. Acontece este sábado, 1 de agosto, a partir das 16 horas, e será a primeira realizada na Doce Caiçara.
O menu inclui fatias gigantes por 7€, com sabores como “Folhata de Morango”, “Bolo Pudim”, “Matilda”, Abacaxi com Ninho, Doce de Leite com Coco e Ameixa, Kinder Bueno, Maracujá com Chocolate, Maracujá com Frutos Vermelhos, Abacaxi com Coco, Biscoff, Limão com Mirtilo, 3 Amores e Bombom de Uva.
Quem não conseguir passar pelo festival pode visitar a confeitaria de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. A vitrina tem fatias de bolo tradicionais (6€), bolos no pote (6€), mini pudins (3€) e sanduba de brownie recheado (4€).
A oferta inclui ainda salgados, como a coxinha de frango com queijo creme tipo Philadelphia (3,50€), a bomba de cheddar e bacon (3,50€) e o salgado caiçara (4€), preparado com frango, queijo cheddar, mozzarella e bacon, envolvido numa crosta de cebola frita. Para acompanhar, há cappuccino brasileiro (3€) e sumos naturais a partir de 4€, com sabores como acerola, maracujá, goiaba e abacaxi.
Apesar do crescimento do negócio, Jéssica mantém os objetivos bem definidos. “O meu principal objetivo de vida é conseguir a reforma para a minha mãe. A longo prazo, talvez ter um espaço maior que tenha cozinha própria para a produção. Mas o que eu procuro mesmo é estabilidade. Quero ter uma vida em paz e poder ir comer fora quando me apetecer”, conclui.
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