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A maternidade mudou-lhe a vida. Hoje, transforma flores em joias únicas em Évora

O Áurea Madalena Atelier nasceu há dois meses e eterniza flores reais e histórias de vida em peças para usar no dia a dia.

A vida dá muitas voltas e, por vezes, é preciso cruzar um oceano para encontrar o verdadeiro propósito. Para Fernanda Barra, de 31 anos, essa realidade chegou com a maternidade, a mais de oito mil quilómetros de casa. Natural de Minas Gerais, no Brasil, trocou os processos do Direito Ambiental pelas flores, tendo criado em Évora um projeto único de joalharia botânica, que eterniza a natureza e congela memórias: o Áurea Madalena Atelier.

Há três anos, Fernanda decidiu mudar de vida. Com formação em Direito, trabalhava com licenciamentos ambientais para grandes empresas no Brasil, mas a “lei seca” nunca a preencheu. “Sempre fui muito ligada ao belo, à escrita, à poesia e à arte. Não me sentia feliz e quis fazer algo diferente”, conta.

A escolha de morar em Portugal, mais concretamente em Évora, surgiu através de um casal de amigos brasileiros. Apresentaram-lhe a cidade e Fernanda apaixonou-se pela tranquilidade e segurança. “Sinto-me confortável. É uma cidade pequena, pacata, onde consegui sentir-me em casa”. Nos primeiros tempos no Alentejo, trabalhou na área do atendimento ao público, explorando a sua facilidade em comunicar.

Contudo, a grande mudança aconteceu há cerca de oito meses, com o nascimento da filha, Maria Madalena. A chegada da bebé trouxe desafios, alterações nas rotinas e uma nova perspetiva sobre a passagem do tempo.

“Com a maternidade, os meus dias acabavam por ficar muito curtos e as noites muito longas. Comecei a observar a vida e o mundo de uma forma diferente e a perceber que a minha filha está aqui, nos meus braços, mas amanhã já está a correr”, refere ao explicar que sentiu uma grande vontade de construir um legado. Queria criar algo genuíno, exclusivo e criativo que, no futuro, a filha pudesse admirar.

Eternizar a vida das flores

Foi na natureza que encontrou a resposta, ao observar o tempo de vida das flores. Fernanda traçou um paralelo com a própria maternidade e os momentos da vida, que passam demasiado rápido, tendo decidido que queria preservá-los. Foi assim que nasceu, há dois meses, o Áurea Madalena Atelier, cujo nome é uma homenagem à sua maior inspiração, a filha Maria Madalena. A palavra “Áurea” foi escolhida pelo significado de dourado, refletindo a forma “brilhante” como Fernanda vê a filha.

Se a ideia parece poética, a execução exige uma técnica mais meticulosa, com muita paciência e observação, visto que todo o processo de secagem, vitrificação e eternização das flores foi aprendido de forma autodidata por Fernanda, durante a licença de maternidade. “Tudo acontece quando a Madalena está a dormir, nas sestas dela. Fui experimentando e observando”, revela.

Para a criadora, este trabalho manual funciona quase como uma terapia, ajudando-a a manter a sua identidade e a cuidar da  saúde mental num período tão exigente como o do pós-parto. O diferencial do atelier está na certeza de que nenhuma peça será igual a outra, tal como na natureza não existem duas flores idênticas. “O atelier procura usar essa exclusividade e juntá-la com a eternização das flores e o congelamento das histórias das pessoas”, revela Fernanda.

As flores – que podem ser orquídeas, girassóis, gerberas, amores-perfeitos ou rosas – são colhidas, compradas ou recebidas de clientes e passam por um processo antes de se tornarem joias. Primeiro, são colocadas em sílica para desidratar, um passo que pode demorar entre sete a 12 dias, dependendo da complexidade da espécie. Depois, precisam de repousar cerca de 24 horas ao ar livre “para respirar”, permitindo a Fernanda verificar se existe algum fungo ou humidade residual que possa comprometer a aplicação da resina.

Cada flor dita as suas regras. Uma rosa, por exemplo, é preservada no seu formato original, quer esteja fechada ou aberta. Já flores mais complexas, como a gerbera, requerem múltiplos banhos de resina e uma atenção redobrada aos detalhes das pétalas.

Cápsulas de memória

Mais do que acessórios de moda, as peças da Áurea Madalena são cápsulas de memórias. “Não lido apenas com flores, lido com a história da pessoa que vai usar”, sublinha a artesã. O conceito abre portas a presentes, como uma das primeiras encomendas do projeto, onde uma cliente recebeu orquídeas num arranjo de aniversário e não queria que o momento morresse com a planta. Por isso, pediu a Fernanda que recolhesse as flores e as transformasse em peças para si e para a amiga.

As possibilidades são infinitas e vão desde eternizar a flor de um buquê de noiva, a guardar para sempre a lembrança de um Dia dos Namorados ou a eternizar uma flor de um jardim com valor sentimental. Em vez das flores secarem esquecidas em qualquer lugar, ganham uma nova vida em brincos, colares ou pulseiras que podem ser usadas no dia a dia.

Apesar de estar a dar os primeiros passos e de as pessoas ainda estarem a descobrir a narrativa por trás da marca, os objetivos de Fernanda Barra são ambiciosos. Atualmente, as vendas do atelier são feitas através do Instagram da marca, que trabalha com materiais hipoalergénicos, como aço inoxidável, e fios com banho de ouro ou prata.

Os preços variam de acordo com o tempo investido e a complexidade da flor, começando nos 18€ para conjuntos com flores mais pequenas e de processamento mais simples, até aos 56€.

No entanto, o sonho para o futuro da marca passa por uma expansão em direção à alta joalharia, dado que Fernanda quer elevar o conceito e trabalhar com ouro e prata maciços, bem como com colecionadores de espécies botânicas raras, explorando a riqueza da flora portuguesa e brasileira.

“A minha ambição é que o atelier se torne uma referência de joalharia botânica na Europa. Quero que as pessoas observem isto como um luxo silencioso. Não é algo para ostentar, é luxuoso porque tem um significado e é uma arte genuína. E quero construir o meu legado. Vou fazer a diferença com o que tem significado para mim”, remata.

Carregue na galeria e conheça algumas das criações de Fernanda.

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