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Aos 33 anos, Patrícia mudou de vida e tem a loja onde as peças exclusivas esgotam

Abriu o espaço no início de 2024 após a vida lhe trocar as voltas. O sucesso foi tão grande que teve de se mudar.

A vida tem uma forma muito curiosa e, por vezes, abrupta de trocar as voltas e os planos quando menos se espera. Para Patrícia Lopes, de 33 anos, o caminho profissional parecia estar muito bem traçado na área da Medicina Veterinária, na qual trabalhava como enfermeira veterinária.

No entanto, um problema de saúde viria a alterar o curso do que tinha planeado. Esta adversidade forçou-a, por obrigação médica, a abandonar a área de formação e a profissão que exercia num centro hípico. Ainda assim, o que à partida poderia ser visto como o fim tornou-se no início de uma nova vida com a loja de roupa Old West.

A ideia de abrir um espaço de moda não nasceu de um sonho de infância ou de um plano de negócios estruturado durante anos a fio. “Foi algo pouco pensado”, confessa a fundadora da marca, com humor à mistura.

A necessidade de reinvenção surgiu devido à “vida a acontecer”, um facto que acabou por obrigar Patrícia a agarrar-se a um projeto que não estava programado nas suas ambições. O momento desta mudança aconteceu de uma forma invulgar: Patrícia estava a trabalhar no centro hípico quando, de repente, parou para pensar no futuro e refletiu que tinha de organizar a sua vida.

Foi nesse instante que a grande questão surgiu pela primeira vez: “E se abrisse uma loja de roupa?”. Assim que o turno acabou e chegou a casa, partilhou a ideia com o marido. A resposta que recebeu foi tão encorajadora que começou a desenhar-se o destino da agora Old West.

Apesar da área empresarial não ser um sonho de menina, a verdade é que o gosto pessoal pela moda e pelas tendências sempre fez parte da identidade de Patrícia. Além disso, na sua visão, a cidade tinha pouca variedade de roupa para o público feminino.

A primeira loja abriu oficialmente em 2024. O crescimento orgânico fez-se, numa primeira fase, através do passa-palavra entre as gentes da terra. As pessoas que por lá passavam começaram a gostar das peças, as amigas mais próximas começaram a vir visitar as novidades e a palavra espalhou-se de forma muito rápida.

A inauguração inicial aconteceu na época do Natal, um período em que há mais pessoas à procura de presentes especiais, o que acabou por dar um impulso ao negócio logo nos primeiros dias de faturação. Mas, como seria de esperar, foram as redes sociais que deram o verdadeiro “boom” ao projeto. Em apenas dois anos, a página de Instagram da marca disparou em popularidade, atingindo atualmente quase 10 mil seguidores.

O segredo do sucesso da Old West está na curadoria pessoal e exigente das peças que compõem os charriots. A roupa é maioritariamente constituída por moda de Espanha e Itália. No entanto, em vez de se limitar a encomendar catálogos à distância, Patrícia faz questão de selecionar pessoalmente as peças ao pormenor.

Vai às compras e toma as decisões no próprio dia, aplicando uma regra. “Só compro roupa que vestiria. Não tenho nada na Old West que diga: não, eu vou levar isto porque isto vende”, garante a fundadora. No universo da Old West, as peças são escolhidas porque Patrícia olha para elas com atenção, acha-as bonitas e revê-se nelas.

Outro dos fatores mais diferenciadores da marca é a fuga ao modelo tradicional do retalho de moda. A loja não trabalha com coleções fixas de primavera/verão ou outono/inverno, que por norma costumam ficar estagnadas meses a fio nos expositores.

O modelo adotado é focado numa rotatividade do stock. Patrícia vai às compras, por regra geral, de três em três semanas, o que garante que a loja tenha sempre artigos novos para apresentar. Das suas viagens, traz apenas uma ou, no máximo, duas peças de cada modelo selecionado, sendo que não existem reposições do mesmo artigo.

Este formato cria um sentido de urgência nas consumidoras habituais. Segundo Patrícia, as clientes “vão sempre com curiosidade” porque sabem que têm de visitar o espaço rapidamente assim que as novidades chegam. Caso não o façam, correm o risco de perderem a oportunidade de adquirir aquela peça específica de que tanto gostaram.

O resultado prático desta estratégia é que muitos dos artigos esgotam no primeiro dia em que chegam à loja. Desta forma, as clientes também ganham a exclusividade, tendo a certeza de que não vão andar todas vestidas de igual nos eventos e passeios pela cidade.

Foi este cenário de crescimento que motivou a mudança de paradigma no passado dia 19 de setembro, quando a Old West inaugurou o seu novo espaço em Évora. A morada escolhida para esta nova era foi perto do Largo da Porta de Moura, uma zona caracterizada por ser muito central e de uma beleza característica.

Mas a verdade é que este novo capítulo não trouxe apenas mais metros quadrados para circular. O evento de abertura marcou o arranque de uma nova parceria com a conhecida marca de bijuteria Monstera, que veio no momento certo dar um “up” visual e um novo brilho ao conceito da Old West.

E as grandes novidades desta temporada não se ficam por aqui, dado que a loja introduziu uma linha dedicada a miúdos e também uma linha de bebé, abrangendo um público totalmente novo. O sucesso deste recomeço no novo espaço foi tão expressivo que toda a roupa exposta esgotou no próprio fim de semana de inauguração.

Esta surpresa acabou por obrigar Patrícia a agendar rapidamente uma nova ida às compras. Mas o que começou como uma pequena loja local para colmatar a falta de variedade no comércio em Évora, já ultrapassou as fronteiras geográficas da região, visto que a Old West conta hoje com dezenas de clientes fidelizados de norte a sul de Portugal continental, chegando aos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

A relação de proximidade, com quem compra as peças é tão valorizada pela marca que originou recentemente uma história  curiosa. Numa viagem de férias à ilha da Madeira durante este último ano, Patrícia decidiu levar uma mala de viagem cheia de encomendas da loja, para entregar em mãos.

O objetivo desta ação foi evitar que as clientes tivessem de pagar os portes de envio, já que ela própria ia ter o gosto de se deslocar fisicamente à ilha. A atenção e o facto de se terem conhecido pessoalmente renderam não só novas amizades, mas garantiram ainda mais fidelização por parte de quem recebeu a encomenda. Patrícia confessa que este gesto a permitiu também “conhecer a Madeira de uma maneira que se calhar não conhecia”.

Mas o impacto da Old West não fica por aqui. O sucesso da marca estende-se fora das quatro paredes da loja, conseguindo isso através da participação em variados mercados. Durante os meses de verão, a marca andou na estrada, em diversos mercados, incluindo várias incursões em Espanha, mais concretamente em Isla Canela.

A reação mulheres espanholas foi a prova viva da qualidade da curadoria da Old West, visto que apesar de a totalidade da roupa comercializada ser comprada na íntegra no mercado de Espanha, as clientes de Isla Canela não a reconheciam como sendo do seu próprio país.

Com um futuro promissor, Patrícia Lopes mantém o foco nos objetivos. Num mercado atual tão vasto e competitivo, a fundadora tem a consciência de que é crucial estar à frente do seu tempo. A receita para não estagnar é saber que tem de estar sempre “um passo à frente” da concorrência e que se precisa de esforçar “dez vezes mais do que o normal” para evitar ficar a meio do longo caminho.

Carregue na galeria e conheça a nova loja.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Largo das Portas de Moura, 1
    7000-647 União das freguesias de Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a Sexta-feira:
  • 10h-14h
  • 15h-19h
  • Sábado:
  • 10h-13h
TIPO
Loja

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