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Afinal, como é que foi gravada aquela cena bizarra de “A Odisseia”?

O momento em que Circe transforma os homens de Ulisses em porcos deixou milhões de espectadores intrigados.

Com uma avaliação média de 94 por cento e 1,11 mil milhões de euros arrecadados, “A Odisseia”, realizado por Christopher Nolan, já é um dos filmes mais populares das últimas décadas. Lançado em julho, há uma cena que se destaca ao longo da obra de quase três horas: a transformação dos homens de Ulisses em porcos. O momento protagonizado por Samantha Morton, que interpreta Circe, parece recorrer a efeitos digitais, mas não. A transformação foi criada com efeitos práticos e animatrónica.

Parece que até o elenco ficou surpreendido quando viu o filme pela primeira vez. Anne Hathaway, uma das estrelas, contou ao “IMDb” que, apesar de ter estado nas gravações, também ficou sem perceber como é que Nolan tinha conseguido aquele resultado. Já Tom Holland, outro dos membros do elenco, confirmou ao mesmo meio que as cabeças utilizadas na sequência eram animatrónicas e que os movimentos das mandíbulas e das faces foram realizados com mecanismos físicos.

A cena começa quando os homens de Ulisses chegam à casa de Circe à procura de comida. Na história de Homero, a feiticeira recebe os marinheiros e transforma-os em porcos com os seus poderes. Ulisses consegue escapar ao feitiço com a ajuda de Hermes e confronta-a, obrigando-a a devolver aos companheiros a forma humana.

No filme, Nolan transforma o episódio numa sequência de terror corporal. Circe aproxima-se dos homens e começa a deformar-lhes os rostos com as mãos, enquanto a pele e os traços faciais parecem mudar diante da câmara.

Para conseguir esse efeito, a produção trabalhou com um artista que criou materiais que Samantha Morton podia manipular durante a gravação. As cabeças animatrónicas permitiram reproduzir movimentos como o alongamento das mandíbulas e a alteração dos rostos. O resultado final dá a impressão de que os atores estão a sofrer uma transformação física em tempo real.

Morton também confirmou que não houve recurso a CGI na sequência. Para a atriz, o objetivo passava por recuperar uma ideia de “magia de cinema” baseada naquilo que acontece dentro do enquadramento e não no que é acrescentado depois através de computadores. A escolha está alinhada com uma das características da realização de Christopher Nolan, que voltou a apostar em efeitos práticos e em elementos físicos para criar várias das criaturas e situações do filme.

A transformação dos marinheiros é apenas um dos episódios dramáticos da longa viagem de Ulisses. “A Odisseia” adapta o poema épico e acompanha o rei de Ítaca depois da Guerra de Troia, durante a viagem de regresso a casa. Pelo caminho, Ulisses e os seus homens encontram criaturas e figuras da mitologia grega, entre elas o Ciclope Polifemo, as sereias e Circe. 

A produção tornou-se num dos maiores fenómenos comerciais do ano. Chegou aos cinemas com um orçamento estimado em 213 milhões de euros e conseguiu 225 milhões no primeiro fim de semana a nível mundial, o melhor arranque da carreira de Nolan.

A crítica também recebeu o filme de Nolan com avaliações positivas. No Rotten Tomatoes, “A Odisseia” apresenta 94 por cento de aprovação entre os críticos e 97 por cento entre o público.

 
 
 
 
 
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