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Cantou com Nininho Vaz Maia e trabalhou com La Féria. Agora, jovem de Évora brilha na RTP

Beatriz Duarte arriscou numa atuação a solo exigente e arrancou dezenas de elogios. A artista integra o grupo liderado pelas 7 Saias.

Aos 14 anos, a jovem eborense Beatriz Duarte já sabe exatamente o que quer fazer da vida. Natural de Évora, a estudante acaba de dar mais um passo rumo à concretização do seu maior sonho, que passa por consolidar uma carreira no mundo das artes. Atualmente, é uma das concorrentes do “Dream Team – Equipa de Sonho”, o novo formato da RTP1, onde veste as cores e integra a Equipa 7 Saias.

Apresentado por Catarina Maia, o programa é uma competição de gerações, visto que o palco junta oito artistas de renome, como Áurea, Cláudia Pascoal, Vizinhos, 7 Saias, Toy, David Carreira, Luís Trigacheiro e Anselmo Ralph, aos talentos do futuro.

Estes miúdos, com idades compreendidas entre os oito e os 14 anos, dão vida a versões “mini” dos seus ídolos em atuações avaliadas ao pormenor, semana após semana, pelos jurados Catarina Furtado e Diogo Pinto, num formato onde as eliminações e as decisões difíceis são constantes. Foi este grau de exigência que cativou a jovem eborense. “Tudo aconteceu quando vimos que ia haver este programa. Como gosto muito de desafios, inspirei-me e lá fomos”, conta Beatriz.

O gosto por cantar acompanha a jovem desde que tem memória, muito por causa do avô tocar cavaquinho. Embora reconheça que, desde pequena, já tinha “uma voz bonita” , a verdade é que foi o estudo de canto, que começou por volta dos 12 anos, que veio consolidar a técnica. Passados quase dois anos de treino vocal, cantar tornou-se na sua paixão diária.

A música como boia de salvação

Muito ligada à família, encontrou na música a boia de salvação para superar problemas físicos, que a obrigaram a afastar-se temporariamente de uma atividade pela qual é apaixonada: a ginástica artística. O período de paragem foi duro, mas não desistiu e um dos dias mais felizes da sua vida foi aquele em que soube que estava totalmente recuperada e que podia voltar aos treinos de ginástica.

Mas antes de brilhar neste formato, Beatriz já tinha pisado um palco televisivo, em 2024, quando participou no concurso “The Voice Kids”, também na RTP1. “Foi um sonho realizado e agora este. Tem sido incrível”, confessa. Ao partilhar as luzes da ribalta com o grupo 7 Saias, a jovem sentiu-se um pouco mais descontraída face à sua estreia televisiva.

A eborense admite que a dinâmica de atuar em grupo a deixa mais confortável e torna a experiência mais divertida. “Já tinha ouvido falar das 7 Saias, mas agora conheci melhor por participar no programa. Gostei muito delas, orientaram-nos muito bem. São pessoas extraordinárias, que me apoiaram a mim e à minha equipa”, revelou.

A coragem e o talento de Beatriz ficaram ainda mais evidentes quando decidiu interpretar a música “Bring Me To Life”, da banda Evanescence, a solo. Uma melodia considerada altamente complicada pelos jurados no programa. O nervosismo inicial nos ensaios não passou despercebido à sua equipa, mas a vontade de provar o seu talento falou mais alto. “Decidi arriscar e trazer esta música. Acho que fiz o melhor, porque é ao arriscar que nos superamos e vemos até onde conseguimos chegar”, explicou à NiE.

O risco compensou e a atuação rendeu-lhe elogios. As palavras de aprovação do jurado Diogo Pinto deixaram-na segura de que tinha passado a mensagem certa. “Senti-me muito bem pelo apoio da minha equipa e senti-me feliz por conseguir ter uma boa prestação”.

Sobre os bastidores, Beatriz elogia o formato do programa, destacando a forma como junta artistas de renome com os quatro “mini-artistas” da equipa, onde o ambiente competitivo dá lugar à amizade: “Demo-nos muito bem com os membros das outras equipas, rimos, convivemos imenso e crescemos”, revela.

Num dos momentos altos do formato, Vasco, um colega de uma equipa adversária, confessou que a atuação de Beatriz lhe tocou no coração. “Apesar de estarmos numa competição, temos de nos apoiar uns aos outros. Só o facto de estarmos na televisão a cantar já é uma grande vitória para todos”.

A Beatriz Duarte e a mãe

Na plateia, a aplaudir de pé, está sempre a mãe, Susana Fragoso. Psicóloga de um agrupamento de escolas em Évora, descreve a experiência de ver a filha atuar para o país inteiro como arrebatadora. “O coração quase que não cabe dentro do peito”.

“É qualquer coisa de extraordinário ver os nossos filhos concretizarem sonhos. Já percebi que a música traz muita felicidade à Beatriz. Vê-la a cantar, a sorrir, a partilhar um palco… Digo-lhe sempre que a levarei onde ela quiser, para que possa ir avançando na vida para onde o vento a levar e ela quiser ir”, partilhou emocionada.

Ciente da realidade do Alentejo, em que nem sempre há muitas oportunidades, Susana  acredita que programas como este provam que o local de residência não tem de ser uma barreira. “A vida da minha filha podia ser um pouco diferente se mudássemos para Lisboa ou para o Porto, mas digo sempre aos meus filhos que não é pelo sítio onde moramos que as possibilidades estão limitadas. Depende da forma de encarar a vida e de lutar pelos sonhos“.

Para lá da televisão, o percurso artístico de Beatriz Duarte já soma outras experiências. A jovem frequentou o Conservatório durante dois anos e integrou a Escola de Verão do Politeama, trabalhando com o encenador Filipe La Féria na peça musical “Aladino”. “Gosto muito de teatro. Juntar duas das coisas que mais gosto foi muito bom. Foi duro, mas divertimo-nos e aprendemos que o trabalho árduo compensa”, recordou. Já em 2024, subiu ao palco da Queima das Fitas de Évora para cantar ao lado do cantor Nininho Vaz Maia.

O talento de Beatriz desdobra-se para a composição aliada à cidadania já que, juntamente com a mãe, compôs uma música original para o projeto “Harmonia sem Fronteiras”, promovido pela Fundação Eugénio de Almeida nas escolas da região. A canção “Grito”, disponível no YouTube, aborda temas como a multiculturalidade, a inclusão e a diversidade. O projeto venceu o primeiro lugar da iniciativa de voluntariado da fundação e a música chegou mesmo a ser gravada em estúdio e acompanhada por uma peça de teatro na cidade. “Gosto muito de fazer voluntariado e quero continuar a escrever as minhas músicas”, afirmou a jovem artista.

Com os olhos postos no futuro, os objetivos a curto prazo passam por pisar ainda mais palcos. “Gostava muito de dar concertos. Não para dizer que sou famosa, que apareço na televisão ou tenho mil seguidores, mas porque acho importante partilharmos o que importa com as outras pessoas. Quero que a minha música faça as pessoas sentirem-se bem e identificarem-se com o que digo. Gostava dar concertos pelo mundo”, revela.

No próximo ano letivo, Beatriz Duarte vai ingressar no 10.º ano na área de Artes. Recusando-se a fechar portas, quer explorar todas as facetas do seu talento. “É mesmo aquilo que gosto de fazer. Não só cantar, mas pintar, desenhar, fazer esculturas. Tudo o que esteja na arte, eu quero experimentar”.

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