Elize e Marcos Matsunaga são um dos casais mais conhecidos entre os fãs do género true crime, estilo de produções que investiga, reconstrói e analisa casos criminais reais, devido ao caso mediático que chocou o Brasil em 2012. Marcos, herdeiro da Yoki, um empresa ligada à indústria alimentar, foi encontrado morto, com partes do corpo em malas espalhadas por diferentes pontos de São Paulo. Veio a descobrir-se, meses depois, que a culpada do crime foi Elize, presa pouco tempo depois. Em 2021, a Netflix fez um docmentário sobre o caso. Agora, o ex-casal regressa à plataforma num filme ficcionado.
A obra, chamada “Elize: Sombras de uma Mulher”, estreou esta quarta-feira, 22 de julho. A produção acompanha a história real de Elize Araújo Giacomi, que nasceu numa família pobre em Chopinzinho, no interior do Paraná, e que foi para São Paulo trabalhar como prostituta. No entanto, um dia, ao atender Marcos Matsunaga, a sua vida muda por completo.
O herdeiro da Yoki, ainda casado na época, apaixonou-se por Elize e prometeu-lhe tirá-la daquela vida. Os dois começaram um relacionamento e quando Marcos se divorciou da ex-esposa, casou com Elize em pouco tempo. No entanto, a jovem nunca foi aceite pela família Matsunaga, graças ao seu antigo trabalho.
O relacionamento dos dois foi-se desgastando — mesmo após o nascimento da filha nove meses antes do crime — até tornar-se tóxico. Um dia Elize descobre que o marido está a traí-la, o que piorou a situação, levando ao assassinato de Marcos em julho de 2012, no apartamento onde moravam.
O filme de suspense psicológico acompanha Elize, mostrando ao público o percurso que a levou a cometer o ato brutal, retratando de forma ficcional toda a história antes e depois da morte de Marcos.
“Nós, o público, temos muita tendência a dar respostas fáceis: ou ela é uma grande vilã, ou uma grande vítima. A ficção oferece-nos a possibilidade de levantar mais perguntas, em vez de dar as respostas fáceis. Ela é vítima e também é a assassina que esquartejou o marido, que depois manipulou a família. Essa espécie de ambiguidade só pode ser explorada numa história de ficção”, afirma Rafael Montes, diretor do projeto, acompanhado por Mariana Torres, numa entrevista dada ao meio brasileiro “Omelete“.
Elize foi condenada a 19 anos e 11 meses pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, e enviada para Tremembé, uma das prisões brasileiras com mais criminosos conhecidos no Brasil, em 2012. No entanto, a sua pena foi reduzida, saiu da prisão em 2022, e atualmente vive uma vida discreta, tendo já trabalhado como motorista de uma empresa concorrente da Uber, durante algum tempo.
Se quiser saber mais sobre o caso, pode ver a série documental da Netflix “Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime” (2021), onde conhecemos detalhes da história do assassinato, a confissão e o julgamento de 2016 através do ponto de vista da própria Elize — sendo a primeira vez que ela compartilhou o seu ponto de vista sobre os factos —, além de depoimentos de familiares, colegas dela e da vítima, especialistas do caso, jornalistas, advogados e peritos criminais.
O documentário trouxe diversos debates online, porque muitos afirmavam que parecia estar a “tentar desculpar o crime” enquanto outros que diziam que “Elize também tinha sido uma vítima de Marcos”. A história também foi explorada na série da Prime Video, “Tremembé” (2025), obra que retrata a rotina e os conflitos na famosa prisão do Brasil, onde Elize é uma das personagens principais.
Elize é interpretada, nesta produção, por Lorena Comparato, e Henrique Kimura dá vida a Marcos Matsunaga.
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