A Feira de São João está de regresso ao Rossio de São Brás e, este ano, promete ser uma das edições mais memoráveis. De 23 de junho a 5 de julho, a cidade transforma-se no epicentro da cultura e da gastronomia da região sul do País. Durante quase duas semanas, a rotina dá lugar à festa, cuja entrada no recinto, e em todos os espetáculos, é grátis.
A New in Évora preparou um guia com tudo o que pode fazer no evento mas, antes de falarmos da festa como ela acontece hoje em dia, é preciso recuar no tempo para perceber a dimensão desta feira, que já existe desde 1569. Ainda assim, foi em 1574, pela mão do Rei D. Sebastião, que recebeu o alvará para se realizar no espaço onde ainda hoje acontece, no Rossio de São Brás.
Nessa época, a festa resumia-se a algumas tendas de mercadores e artesãos de metais preciosos, que traziam a Évora os couros, panos de cor, louças trabalhadas e tecidos finos que, de outra forma, nunca chegariam a esta região do Alentejo.
A importância económica da Feira de São João cresceu de tal forma que, no início do século XX, os reis de Portugal faziam questão de visitar a feira, quase como uma paragem obrigatória, muito devido ao estatuto de Évora como a segunda cidade do Reino. Historicamente, foi também o principal ponto de comércio de gado do sul de Portugal, o local onde se definiam os preços para todo o Alentejo.
No campo do entretenimento, muito antes dos concertos pop, a diversão fazia-se com espetáculos de circo e teatro de rua e os tradicionais “robertos”, espetáculos de marionetas que atraíam multidões para ver o que habitualmente não se via nas ruas pacatas da cidade.
Voltando a 2026, a tradição mantém-se, mas os mercadores de outrora deram lugar a um cartaz musical que promete encher o Rossio de São Brás todas as noites. A programação foi pensada para agradar a todas as gerações e mistura nomes da música portuguesa com os novos talentos que dominam as rádios nacionais.
A inauguração faz-se na terça-feira, 23 de junho, com Carolina de Deus, uma das vozes mais promissoras da atualidade. Na noite de São João, a 24 de junho, o palco recebe Celina da Piedade e o seu acordeão, num concerto que promete celebrar as raízes alentejanas. A 25 de junho, será o cantor Edmundo Inácio a tomar conta do recinto.
O primeiro grande fim de semana arranca a 26 de junho com a fadista Cuca Roseta, enquanto no sábado, dia 27 de junho, será Miguel Araújo a trazer as suas músicas. No domingo, 28 de junho, a banda Quinta do Bill sobe ao palco acompanhada pela Banda Filarmónica Liberalitas Julia, numa junção entre o folk rock e a tradição filarmónica eborense.
Já na segunda semana, o dia 29 de junho, dia de São Pedro, traz Tim, a voz dos Xutos & Pontapés. No dia seguinte, 30 de junho, a cultura da nossa região volta a ter destaque com o Encontro de Etnografia e Folclore do INATEL. A entrada em julho, no dia 1, faz-se com José Pedro Henriques, que traz como convidada especial a jovem cantora eborense Margarida Sousa. Na quinta-feira, 2 de julho, é a vez do alentejano Luís Fialho animar a plateia, visto que o cantor vai cantar os seus sucessos, como é o caso da música “Tardes Contigo”.
O último fim de semana é uma verdadeira viagem por diferentes estilos musicais porque na sexta-feira, 3 de julho, é dedicada ao rock dos UHF. No sábado, 4 de julho, é José Cid que promete um espetáculo cheio de sucessos que unem avós, pais e netos. Para fechar a edição de 2026 com chave de ouro, no domingo, 5 de julho, ProfJam garante que os mais jovens se despedem da feira em euforia.
Mas nem só de música se faz a Feira de São João. Se os palcos são o chamariz da noite, as dezenas de tasquinhas e os expositores são o ponto alto do evento durante o dia e o final de tarde. O Rossio de São Brás volta a encher-se de espaços de venda e divulgação de artesanato, permitindo que os negócios locais e da região mostrem o que de melhor se faz no Alentejo.
Entre uma bifana, o tradicional pão com chouriço feito em forno a lenha, ou as farturas que são paragem obrigatória no regresso a casa, as opções gastronómicas são infinitas e para os mais novos – e para os adultos que não dispensam a adrenalina -, a zona das diversões é o grande atrativo. Os clássicos carrinhos de choque, os carrosséis, as barraquinhas de tiro ao alvo para ganhar peluches e a roda gigante garantem que o espírito de feira se mantém intacto. Além disso, a feira continua a ser um espaço de debate e reflexão, visto que acontecem, em paralelo, várias conferências e colóquios focados nas atividades económicas e sociais do Alentejo.
Com 13 dias de festa intensa pela frente e como a entrada é livre, o ideal é chegar ao recinto ao final da tarde, garantir lugar para estacionar nas imediações, aproveitar para jantar tranquilamente nas tasquinhas e conseguir um bom lugar perto do palco.








