É sob o título “Alegres Campos, Verdes Arvoredos”, evocando Luís Vaz de Camões, que o Festival Terras sem Sombra apresenta a sua 22.ª temporada, a decorrer de fevereiro a dezembro deste ano, mantendo o modelo que articula a música, o património e a biodiversidade.
A Polónia é o país convidado na edição de 2026 para reforçar a projeção internacional do festival, que estende a sua programação a 13 concelhos do Alentejo e a um do Ribatejo. O roteiro deste ano integra, pela primeira vez, as cidades de Alcácer do Sal e Grândola, prometendo um concerto-mistério, a ser revelado durante a temporada.
Entre os momentos altos destaca-se a estreia absoluta, em Beja, da ópera encenada “Maria Stuart”, de Martin Hennessy, pela Compañía de Ópera LaJoven, no sábado, 21 de novembro. Ainda nos destaques da programação está a apresentação, a 18 de abril, da obra-prima de Camille Saint-Saëns, “Le Carnaval des Animaux”, em Ferreira do Alentejo.
Outro dos pontos altos é o regresso do Prémio Internacional Terras sem Sombra, que terá lugar em Santiago do Cacém a 28 de março, sob a presidência da Infanta D. Maria Francisca de Bragança. A iniciativa volta renovada e com duas novas categorias: “Sons sem Sombra”, dedicada a novos talentos, e “Serviço à Comunidade/Cooperação Internacional”.
A programação começa no fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março, em Arronches, com o programa inaugural a incluir um concerto de piano a quatro mãos pelo Zarębski Piano Duo – Grzegorz Mania e Piotr Różański – na Igreja Matriz.
Segue-se a atividade “Raia, Identidades e Contrabando: A Fronteira Invisível”, uma das redes de contrabando que se localizou em Arronches, já que a localidade se situava numa das fronteiras mais antigas da Europa – definida em 1297 pelo Tratado de Alcanizes – e porque o contrabando foi uma prática recorrente de subsistência, com várias redes informais entre aldeias portuguesas e espanholas. A raia foi também um ponto de passagem de refugiados e opositores políticos.
Por fim, destaca-se uma ação de salvaguarda da biodiversidade focada nas mulheres na agricultura, assinalando o ano internacional declarado pela ONU para sublinhar a necessidade de “políticas eficazes para a igualdade de género nos sistemas agroalimentares”.

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