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Tem 2000 anos, já foi um matadouro e agora pode ser uma das Novas 7 Maravilhas

Sobreviveu a invasões, a guerras e a várias transformações ao longo dos séculos.

Qualquer visita a Évora fica incompleta se não passar pelo grande cartão-de-visita da cidade. O Templo Romano é uma daquelas paragens obrigatórias, um marco intemporal tão único como a Capela dos Ossos e o maior vestígio da ocupação romana no País. Agora, em 2026, este monumento foi selecionado como um dos 147 finalistas das Novas 7 Maravilhas de Portugal.

Após 20 anos da primeira edição, o concurso que celebra a história e a arquitetura nacional está de volta com sete categorias distintas. De um total de 629 candidaturas, um painel de 140 especialistas escolheu os patrimónios que seguem para a fase de votação popular, sendo que o anúncio oficial aconteceu na passada sexta-feira, dia 29 de maio, num evento que encheu de convidados o Palácio Nacional de Queluz.

A região alentejana conta com 15 representantes, sendo o Templo Romano de Évora o grande destaque na categoria de “História”.

Classificado como Património Mundial pela UNESCO em 1986, este edifício de estilo coríntio foi construído no início do século I d.C., no Largo Conde de Vila Flor, muito próximo da Catedral e do Museu de Évora, tendo sido erguido para homenagear o Imperador Augusto, venerado como um deus no fórum romano.

Contudo, ainda hoje muitos lhe chamam Templo de Diana. A confusão gerou-se no século XVII através de uma lenda que o associava à deusa romana da caça, mas não passa de um mito.

Ao longo dos seus cerca de dois milénios de existência, resistiu a um pouco de tudo, tendo sido modificado nos séculos II e III, parcialmente destruído no século V pelas invasões dos povos bárbaros e chegou a servir de casa-forte ao castelo da cidade no século XIV.

Mais tarde, foi transformado para funcionar como o matadouro de Évora. Foi apenas na segunda metade do século XIX que uma intervenção de restauro lhe devolveu a dignidade e as linhas originais, removendo as estruturas que o descaracterizavam. Já no século XX, escavações revelaram vestígios de um antigo pórtico rodeado por um espelho de água.

Atualmente, a sua forma retangular impõe respeito e o pódio feito de blocos de granito mantém-se quase intacto, com cerca de 3,5 metros de altura. Sobre ele erguem-se 14 colunas originais, adornadas por capitéis em mármore branco de Estremoz. O teto e os mosaicos desapareceram com o tempo, mas as seis colunas intactas no topo norte continuam a suportar a arquitrave original, numa visão muito semelhante ao Templo de Diana, em Mérida, ou ao de Ártemis, em Éfeso.

A votação para eleger o Templo Romano de Évora já está aberta e pode ser feita por telefone ou através da app TVI Pass. As meias-finais regionais arrancam a 13 de junho, com transmissão em direto na TVI. A lista completa dos finalistas pode ser consultada no site oficial das 7 Maravilhas.

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