Numa era em que cada vez mais pessoas se preocupam em procurar atividades relacionadas ao bem-estar, Lola Mora e Sónia Mendes – ambas terapeutas sonoras formadas pela Escola Internacional de Taças Tibetanas – assim como Marta Cutileiro – professora de ioga e neta do escultor João Cutileiro – desenharam um plano para levar os benefícios da terapia de som e da prática de ioga aos eborenses.
Foi assim que nasceu o OM Yoga&Som, que abriu portas em março de 2025, numa convergência de três vidas que encontraram na cura holística a sua verdadeira vocação.
Sónia Mendes, 50 anos, professora de música há 24, conta que o som foi sempre uma boia de salvação, mesmo antes de compreender o seu poder. “A música já me salvou de alguma maneira”, confessa, ao lembrar o momento em que entrou na formação em taças tibetanas e sentiu que aquele era o seu lugar. Hoje, trabalha com todas as idades, desde bebés de cinco meses a idosos, e vê na música uma ferramenta mágica, que toca a memória e a alma.
Lola Mora, 46 anos, que gere também um negócio de turismo em Évora – a Quinta S. Francisco -, teve o primeiro contacto com as taças há 12 anos, numa loja indiana em Almeria, Espanha. “Aquilo tocou-me mesmo a alma”, recorda ao contar que começou nesta área como um hobby.
No entanto, foi graças a um presente de aniversário do marido que evoluiu para uma formação, impulsionada pela curiosidade científica sobre como as frequências e vibrações atuam no corpo humano. Isto após o nascimento do filho.
A completar o trio está Marta Cutileiro, 37 anos, com um passado ligado à ilustração e animação. Quando viu o trabalho nessa área escassear, o ioga ganhou terreno na sua vida. O que começou como uma transição difícil, tornou-se na sua atividade exclusiva, já que “é impossível conjugar as duas coisas”.
Um “espaço em branco” que se tornou acolhedor
Quem entra no estúdio encontra uma atmosfera que convida ao relaxamento, mas nem sempre foi assim. No início, o espaço era uma sala branca, minimalista e vazia. “Foi um processo de pequenas mudanças até se tornar num espaço aconchegante e prático”, explica Lola ao referir que, recentemente, instalaram placas sonoras para otimizar a acústica, garantindo que as vibrações das taças e dos gongos envolvam ainda mais os alunos.
A diversidade de atividades no OM Yoga&Som impressiona pela diversidade. Durante a semana, o foco recai sobre as aulas regulares de ioga, que se adaptam a todos os perfis. “Neste momento, temos mais três professoras de ioga a colaborar connosco”, explicam.
O espaço aposta em ioga para adultos, mas também para miúdos e bebés a partir dos sete meses, onde a criatividade e a consciência corporal são trabalhadas desde cedo.
Além do ioga, o estúdio oferece biodança para miúdos e adultos, terapias individuais, como massagens de som com taças colocadas sobre o corpo, massagens ayurvédicas, banhos de gongo, reiki ou saúde consciente, através de oficinas de herbalismo com Marta Marques. Estas abordam desde cuidados para o cabelo aos fermentados.
Além disso, existem outros eventos pontuais, como constelações familiares com a psicoterapeuta Helena Guerreiro, sessões de meditação e concertos de piano ou outros artistas convidados. Recentemente, o OM Yoga&Som começou a apostar em reiki para os mais novos e o projeto quer crescer para outras áreas, estando à procura de parcerias para trazer aulas de salsa para o estúdio.
O desafio de chegar aos eborenses
Com nove meses de existência, o projeto ainda atravessa a fase de implementação. As fundadoras admitem que o maior desafio não é a prática em si, mas a divulgação e a quebra de preconceitos. “A principal dificuldade é dar a conhecer às pessoas o que somos, quem somos e o que estamos aqui a fazer”, explica Sónia Mendes.
Muitas vezes, o ioga e a terapia sonora são vistos como algo estranho ou inacessível. No entanto, Lola reforça que a maioria das pessoas que as procura já não o faz por curiosidade, mas por necessidade devido a problemas de ansiedade, depressão ou dores físicas. “Mais de 80 por cento do nosso corpo é constituído por água e o som funciona como uma afinação, já que ficamos desafinados com o stress”, explicam.
O objetivo para 2026 é tornar o espaço financeiramente sustentável e fazer com que os benefícios destas terapias cheguem a mais pessoas. Para os mais céticos, o convite é direto: “Venha experimentar. Só assim é que vai aperceber-se do que estamos a falar”, desafia Lola.
No OM Yoga&Som, a promessa é de que ninguém sai da mesma forma que entrou porque, como dizem as fundadoras, quando estamos “afinados” – como se de um instrumento musical se tratasse -, vivemos melhor e mais saudáveis.
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