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Cerveja e bebidas geladas: nutricionista revela o que desidrata mais nos dias de calor

Ana Velez aponta os quatro maiores erros durante o verão e deixa um guia para sobreviver às temperaturas extremas no Alentejo.

Os dias de calor convidam a mais saídas, a idas à piscina ou à praia e a momentos de convívio que, muitas vezes, resultam em excessos ou descuidos na alimentação. Numa região habituada a temperaturas extremas, como é o caso de Évora, a tentação de recorrer a soluções rápidas para refrescar o corpo é grande, mas os erros mais comuns podem sabotar a saúde e o bem-estar.

Para perceber como proteger o organismo durante as ondas de calor, a New in Évora falou com Ana Velez. A nutricionista eborense lembrou várias rasteiras, da desidratação silenciosa aos perigos ocultos nos piqueniques, e destacou várias soluções para manter o corpo equilibrado e fresco.

O primeiro alerta foca-se na hidratação, ou melhor, na falta dela. “Este é o principal problema e pode acontecer de várias formas no quotidiano”, começa por explicar Ana Velez. O principal erro é o de esperar pelo estímulo físico para agir. “Esperar ter sede para beber água é uma falha grave, até porque a sede é, por si só, um sinal claro de desidratação. O correto é beber água ao longo do dia, de forma rotinada, e principalmente se estiver no exterior a fazer ou não atividade física”, adverte a especialista.

A par do timing correto, a quantidade diária ingerida continua a ser uma incógnita para muitos. Ana Velez desmistifica a questão com uma fórmula matemática simples, adaptada a cada um: “multiplicar o peso por 30 e ingerir esse valor em mililitros de líquidos por dia.” Ou seja, uma pessoa com 70 quilos deverá ingerir, no mínimo, 2,1 litros de líquidos diariamente, para garantir o bom funcionamento do organismo sob temperaturas elevadas.

Contudo, nem todos os líquidos contam de forma positiva nesta balança. Com os termómetros a subir, as esplanadas enchem-se e o consumo de bebidas alcoólicas dispara. “Esta é uma fase muito mais social e que leva, inevitavelmente, a abusos no álcool”, reconhece a nutricionista eborense, acrescentando que esta substância “é um dos grandes contribuidores para a desidratação”, ao agir de forma oposta àquilo que o corpo necessita nos dias quentes.

Outro fator que destabiliza o equilíbrio do corpo é o consumo excessivo de sal. Ana Velez esclarece que, “embora haja perda de sódio através do suor, por norma existe já um consumo em excesso de sal na nossa dieta habitual”. Este abuso contínuo “pode levar a uma maior retenção de líquidos, que gera desregulação hídrica”.

Por fim, no campo da hidratação, há um hábito muito comum que a especialista desaconselha: o consumo de bebidas excessivamente frias. “Beber bebidas geladas pode causar desconforto gastrointestinal e esse mal-estar acaba por levar a um menor aporte de líquidos ao longo do resto do dia”, justifica.

Abusar de refrigerantes e gelados para refrescar

Outro dos hábitos quando o calor aperta passa por procurar o café mais próximo em busca de um refrigerante ou um gelado. No entanto, o alívio prometido por estes produtos não só é ilusório, como prejudicial.

“Como têm níveis elevados de açúcar, simplesmente não compensam o conforto momentâneo e o controlo da temperatura corporal”, aponta Ana Velez. Em vez de refrescarem o organismo a longo prazo, provocam picos de glicémia e aumentam a sensação de letargia, um estado de lentidão extrema e de fadiga.

Para quem não abdica de uma sensação refrescante, a nutricionista deixa alternativas práticas e mais saudáveis, que podem ser preparadas em casa. “Recomendo que se procure opções sem açúcar, apostando, por exemplo, numa diluição de sumos naturais e sem gás.” E se os miúdos – ou os adultos – insistirem nos gelados, a solução pode passar por “fazer gelados de gelo recorrendo a estas bebidas.”

A par destas soluções caseiras, a natureza oferece a melhor ferramenta de combate ao calor. Ana Velez sugere que os eborenses se refresquem “com frutas frescas com maior percentagem de água”. Na sua lista de recomendações para a fruteira de verão entram opções como “melancia, melão, morango, abacaxi, laranja ou pêra”.

Desregular os horários e o tipo de refeições

O calor intenso também provoca uma quebra natural no apetite, levando muitas pessoas a cometer o terceiro grande erro da lista de Ana Velez. “Algumas pessoas saltam refeições pelo desconforto que o calor traz, mas o resultado final é catastrófico. Depois, acabam por fazer uma refeição muito pesada, que requer muito mais energia do corpo para fazer a digestão. Isso vai gerar uma maior sensação de calor e uma sonolência extrema”, detalha a especialista.

Para quebrar este ciclo vicioso de jejum prolongado seguido de digestões difíceis, a estratégia passa por fracionar a alimentação ao longo do dia com opções leves e nutritivas. “Idealmente, devemos fazer várias refeições leves ao longo do dia”, aconselha.

As escolhas devem recair sobre alimentos frescos e de fácil digestão. A nutricionista sugere opções para colocar no prato ou na lancheira: “podemos optar por saladas completas, refeições de carnes magras ou peixe grelhado”. Além disso, é fundamental “incorporar legumes ricos em água, tais como curgete, pepino, tomate e alface”.

Para os lanches ou outros momentos intermédios, as soluções frescas e proteicas ganham destaque no plano partilhado pela especialista. São excelentes opções os “batidos de fruta misturados com leite magro e gelo, o iogurte com fruta, que pode ser consumido ao natural ou mesmo em formato de gelado, e as sobremesas proteicas frescas”.

A importância das malas térmicas

O quarto e último erro está relacionado com a forma como a comida é manuseada e transportada nos meses de verão. “O calor leva a uma maior e mais rápida multiplicação das bactérias nos alimentos”, avisa a nutricionista. Com a época balnear em pleno e as deslocações para praias ou piscinas, os cuidados devem ser redobrados. “É imperativo transportar os alimentos numa mala térmica”, reforça Ana Velez.

A permanência dos alimentos à temperatura ambiente após a confeção é outro ponto onde as falhas são constantes. A regra estipulada pela especialista é que “não se devem deixar os alimentos cozinhados fora do frigorífico por mais de uma hora”. Adicionalmente, existem alimentos que devem ser riscados do menu caso não haja certezas sobre a sua conservação. “Não se devem consumir molhos, como maionese, mariscos e laticínios que estejam expostos ao calor”, sublinha.

Ana Velez termina os alertas lembrando que estes cuidados não devem ficar apenas na teoria, mas sim aplicados junto de quem mais precisa. “Acima de tudo, devemos ter estes cuidados redobrados com os mais novos, idosos, grávidas e todas as pessoas que trabalhem ou façam desporto com uma exposição solar direta.”

Carregue na galeria para conhecer os gelados mais calóricos que fazem parte do cartaz da Olá em 2026.

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