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Chocolate, carne barbecue e café. A alimentação dos astronautas numa missão de 10 dias à Lua

O menu foi adaptado ao gosto de cada um e reforçado nutricionalmente. Não pode ter pão, nem bebidas alcoólicas.

Após o mundo ter parado para assistir ao arranque da missão Apollo, em 1969, que levou o Homem à Lua pela primeira vez, a história repete-se. Nesta quarta-feira, 1 de abril, parte a missão Artemis II, a primeira viagem tripulada à volta da Lua em mais de 50 anos. A descolagem está prevista para as 23h24 no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, Estados Unidos da América.

Depois de ser adiada três vezes, parece que é mesmo desta. O objetivo desta missão passa por verificar se o foguete e a nave espacial estão em bom estado de funcionamento, para que se possa realizar um retorno (e pouso) na Lua em 2028.

A viagem, feita na nave Orion, terá a duração de 10 dias. Ao todo, vai levar quatro astronautas: os norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen, representando a primeira vez que uma mulher e uma pessoa negra realizam uma missão lunar. 

Com uma preparação longa a nível físico, a alimentação é também um ponto importante nesta missão. Para orbitar o satélite natural da Terra durante este tempo, os astronautas terão refeições controladas. Até porque a missão da Artemis II é totalmente autónoma, ou seja, sem possibilidade de envio adicional de mantimentos e sem carregamentos de última hora.

Toda a comida necessária tem de ser cuidadosamente planeada, selecionada e embalada antes do lançamento. O objetivo é garantir que a tripulação mantenha níveis ideais de energia, hidratação e nutrição durante todos os dias.

Os produtos levados a bordo foram desenvolvidos em colaboração entre especialistas em nutrição espacial e os próprios astronautas. Cada escolha alimentar tem em conta múltiplos fatores: a validade prolongada, estabilidade à temperatura ambiente e o valor nutricional equilibrado. E claro que num ambiente de microgravidade, têm de evitar comidas que possam criar migalhas que, depois, flutuam e interferem com os equipamentos.

Cada membro da tripulação tem direito a duas bebidas aromatizadas por dia, podendo incluir café, embora as opções sejam limitadas devido às restrições de carga útil. Não haverá alimentos frescos a bordo, já que a Orion não possui sistemas de refrigeração nem capacidade para transportar produtos perecíveis pouco antes da descolagem. Em vez disso, predominam alimentos com prazos de validade mais longos.

A Artemis II regressa a um modelo mais autónomo, com um menu fixo e previamente definido, adequado a uma nave compacta que opera sem apoio externo. Apesar de todas as limitações, a tripulação acaba por desempenhar um papel central na escolha das refeições. 

Durante a fase de preparação da missão, os astronautas provaram e avaliaram todos os alimentos disponíveis, classificando-os segundo o sabor, textura e aceitação geral. Estas preferências individuais foram depois equilibradas com as necessidades nutricionais. Os menus foram definidos meses antes do lançamento e colocados em embalagens seladas a vácuo que incluem dois a três dias de alimentação por pessoa. 

A alimentação também varia conforme as diferentes fases do voo. Certos alimentos necessitam de reidratação através do dispensador de água potável da nave — um sistema que não está disponível durante o lançamento e a aterragem. Nessas etapas, os astronautas recorrem exclusivamente a alimentos prontos a consumir, enquanto uma maior diversidade de opções se torna acessível quando todos os sistemas da Orion estão plenamente operacionais.

A preparação das refeições foi concebida para ser simples e eficiente. A bordo, os astronautas utilizam água potável para reidratar alimentos e bebidas e recorrem a um aquecedor compacto para aquecer as refeições quando necessário. 

Mas, afinal, o que é que os astronautas vão comer a bordo?

Antes da viagem, a NASA divulgou um menu com tudo o que a tripulação vai poder comer na nave. A lista integra 189 alimentos diferentes e mais de dez tipos de bebidas — como café, chá verde, limonada, sidra, smoothies, entre outros.

As tortilhas desempenham um papel central da missão, com 58 unidades previstas. Isto porque funcionam como um substituto versátil do pão. Além disso, são mais seguras, visto que não haverá migalhas.

Entre os alimentos mais comuns encontram-se também quiche de vegetais, salsicha, cuscuz com frutos secos, salada de manga, granola com mirtilos, amêndoas e cajus. O menu inclui ainda pratos mais substanciais como carne de vaca assada em barbecue, massa com queijo, brócolos gratinados, feijão-verde picante, abóbora-menina e couve-flor, além de saladas de fruta tropical.

Para evitar a monotonia alimentar (um fator que pode afetar o humor e o apetite em missões espaciais), a tripulação tem acesso a diferentes condimentos e complementos. Entre os aromatizantes disponíveis estão xarope de ácer, creme de chocolate, manteiga de amendoim, molhos picantes, mostarda picante, doce de morango, mel, canela e manteiga de amêndoa.

O nível de picante é ajustável, existindo cinco tipos diferentes de molhos, uma escolha importante porque o paladar tende a alterar-se em microgravidade devido à redistribuição de fluidos no corpo, levando muitos astronautas a preferirem sabores mais intensos.

As sobremesas também fazem parte do planeamento alimentar, graças ao conforto que levam aos astronautas. Entre as propostas escolhidas há bolachas, chocolate, bolos, amêndoas cobertas de açúcar e pudim.

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