Há histórias que levam a questionar qual a melhor forma de passar as manhãs de domingo. Isto porque enquanto a maioria planeia descansar, há pessoas como Rita Barroso, de 44 anos e fundadora do centro Equilibrium Centro Terapêutico, que não querem abrandar.
Para aproveitar a celebração dos seus 45 anos, Rita vai trocar as velas do bolo de aniversário pelas sapatilhas de corrida e percorrer a distância entre Évora e o ponto mais alto de Portugal Continental, a torre da Serra da Estrela, durante seis dias. São 250 quilómetros com um propósito que vai muito além do esforço físico.
O despertar de uma paixão
Rita Barroso nem sempre foi a super-mulher das maratonas. Há 15 anos, o seu percurso era totalmente diferente, já que trabalhava na área das vendas e o desporto não era a sua prioridade. A grande mudança aconteceu após um convite para fazer uma formação com um quiroprático americano, que a levou a um congresso em Nova Iorque.
“Eles são muito transformadores nesta área dos cuidados de saúde, do cuidar de nós próprios”, explica. E foi a partir daí que Rita descobriu uma nova visão sobre os cuidados de saúde e o bem-estar. “A viagem despertou-me a paixão pela corrida, pela saúde e pelo bem-estar”, recorda.
Ao regressar, transformou o seu estilo de vida e, há uma década, fundou o Equilibrium Centro Terapêutico, em Évora, focado numa linha holística de acompanhamento da pessoa no seu todo.
Desde então, a corrida tornou-se um hábito e embora já tenha ganho provas e obtido excelentes classificações, Rita confessa que o que a apaixona nesta fase da vida são os desafios por etapas. “É sempre uma superação de nós próprios. O que conta é o caminho, a preparação, a disciplina de treino e de alimentação. Mais que provas… os desafios por etapas é onde me realizo”, explica.
Desafio dos 45 anos
A aventura que começa no dia 25 de março, precisamente o dia em que completa 45 anos. Em vez de uma festa de celebração convencional, o presente será completar a primeira etapa de um percurso que ligará o Alentejo à Serra da Estrela.
A primeira etapa, ou melhor, o dia 1 começa em Évora e vai até Casa Branca, numa distância de 46,50 quilómetros. No final do percurso, Rita vai regressar à sua cidade após a corrida, para um jantar com a família, aproveitando a proximidade. No segundo dia, parte de Casa Branca e vai completar mais 48 quilómetros até Crato.
A partir daqui, a logística muda, passando a pernoitar nos locais de chegada para garantir o descanso necessário.
No terceiro dia, a etapa começa no Crato e vai até Vila Velha de Ródão, numa distância de 44 quilómetros que será seguida, no dia 4, de outros 40 quilómetros entre esta localidade e Alcains que, apesar de mais curta, já se fará sentir pelo cansaço acumulado.
O quinto dia será, provavelmente, um dos mais duros por ser aquele onde irá correr a distância mais longa – 50 quilómetros – até à cidade da Covilhã.
Por fim, ao dia 6, Rita e alguns amigos que se queiram juntar ao longo deste desafio, irão enfrentar os difíceis 24,50 quilómetros. Apesar da distância mais curta, este troço será o mais complicado devido à subida da Covilhã até à famosa torre da Serra da Estrela, depois de outros cinco dias de intenso esforço físico.

A história por trás dos desafios
Esta não será a primeira “loucura” de Rita Barroso, visto que estes desafios já são uma tradição sua desde 2017, quando foi a Fátima a correr pela primeira vez por falecido amigo. Desde então, já fez o percurso entre Évora e Fátima em três e quatro dias, chegando mesmo a ir e voltar a correr em 2018, totalizando oito dias de estrada.
No entanto, um destes percursos teve um motivo pessoal que impulsionou a sua decisão. E 2021, Rita foi mãe de gémeos a 13 de maio – dia de Nossa Senhora de Fátima – que nasceram prematuros, às 28 semanas.
“Nasceram sem grandes complicações. Era um sinal de que tinha que, de facto, ir agradecer“, partilha com emoção. Foi essa gratidão que a levou de volta a Fátima, em 2022, apenas um ano após o nascimento dos filhos.
Por isso mesmo, a ida à Serra da Estrela e a futura travessia da Nacional 2 a correr são objetivos que Rita quer cumprir “antes de pendurar os ténis”.
Como se prepara o corpo para correr tanto?
É sabido que ninguém acorda e decide correr 50 quilómetros por dia sem uma preparação científica. É por isso que Rita conta com apoio porque a preparação para um desafio de seis dias consecutivos é muito diferente de um treino para uma maratona comum.
Enquanto num plano normal se privilegia o descanso entre sessões, aqui o objetivo é a “saturação” e, por isso, Rita tem treinado quatro a cinco dias seguidos, todas as semanas, para habituar o corpo ao stress do trauma muscular consecutivo.
Além desta preparação, a fundadora do espaço de recuperação tem de priorizar a sua saúde física ao detalhe, com uma alimentação e suplementação que são essenciais para a recuperação dos tecidos, além da manutenção da energia, de crioterapia caseira com banhos de gelo nas pernas, logo após a chegada a cada etapa, para reduzir a inflamação e o uso constante de meias de compressão para auxiliar a circulação.
A vertente solidária deste desafio
Como é habitual nos seus projetos, Rita quer que cada quilómetro percorrido ajude quem mais precisa e desta vez o foco está em David Garcia, um menino de Mora com paralisia cerebral cujos tratamentos têm custos elevados.
Através da plataforma “Vamos Ajudar o David a Sorrir”, a família apela à solidariedade de todos e por isso, além da divulgação durante a corrida de Rita até à Serra da Estrela, haverá um evento especial no dia 11 de abril em São Sebastião da Giesteira – uma Color Run solidária – cujas receitas vão reverter para a causa do David.
Mas Rita Barroso não quer correr sozinha. Embora o desafio seja pessoal, deixa o convite aberto para quem se quiser juntar a uma etapa, ou mesmo apenas a alguns quilómetros, para partilhar “energia nova”.
“O último dia será o mais desafiante, mas estou convicta de que será concluído com sucesso”, afirma Rita. Afinal, chegar a correr ao ponto mais alto de Portugal Continental aos 45 anos é a prova de que o equilíbrio entre o corpo e a mente permite alcançar qualquer desafio.
Se gostava de apoiar esta causa ou acompanhar o desafio, pode seguir as atualizações nas redes sociais do Equilibrium Centro Terapêutico e contribuir para a causa “Vamos Ajudar o David a Sorrir”.

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