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Sabe escolher os protetores mais indicados para os miúdos? A atenção começa fora da praia

A dermatologista Ana Pedrosa explica como é que a pele infantil reage ao sol e quais são os cuidados essenciais desde os primeiros meses.

A pele dos bebés e miúdos é mais sensível e frágil do que a dos adultos. Desde cedo, cada minuto ao sol conta e o cuidado deve ser total. “As agressões solares acumulam-se ao longo dos anos e aumentam o risco de queimaduras, envelhecimento precoce e cancro de pele no futuro”, explica à NiT a dermatologista Ana Pedrosa, do Hospital de São João, no Porto.

Segundo a especialista, esta vulnerabilidade tem uma razão clara: “A barreira cutânea ainda está em desenvolvimento. A epiderme é mais fina, a produção de melanina é menor e a resposta imunológica da pele não está completamente madura”.

Antes de os bebés completarem seis meses, a recomendação é clara: evitar a exposição solar direta. “Nessa idade, o ideal é proteção física: roupa leve, chapéu e sombra”. A partir dessa fase, ainda que com cuidado e sem exageros quanto ao tempo passado com sol direto, deverá aplicar protetor solar em todas as áreas expostas, sempre adaptado à pele infantil.

Para bebés com mais de seis meses e miúdos até aos três anos, a escolha deve recair sobre protetores minerais, com óxido de zinco ou dióxido de titânio. “Funcionam como um escudo que reflete os raios UV e têm menor risco de irritação”, revela a dermatologista. O FPS (Fator de Proteção Solar) deve ser 50 mais, com proteção UVA (ultravioleta A) e UVB (ultravioleta B) e sem perfume.

O número do FPS indica a quantidade de tempo que se pode estar exposto ao sol sem ficar com uma queimadura solar, comparado a não usar nenhum. Por exemplo, um protetor solar com FPS10 multiplica por 10 essa quantidade de tempo. Por isso, se com 10 minutos ao sol se costuma queimar, poderá ter um tempo de exposição de 100 minutos sem se queimar, com protetor.

Considere isto apenas uma aproximação, uma vez que o tempo depende da estação do ano, do clima atual ou até da sua localização geográfica.

Os raios UVA são os mais preocupantes para a saúde humana, já que estão presentes todos os dias, em qualquer atividade ao ar livre, independente do clima, esteja frio, chuva, neve ou sol. Penetram mais profundamente na nossa pele e são responsáveis pelo envelhecimento precoce, manchas, alergias e doenças como o cancro de pele. 

Já os raios UVB penetram mais superficialmente na pele e causam as vermelhidões e queimaduras solares típicas das estações quentes. Intensificam-se depois dos primeiros minutos, após as 9 horas da manhã, e ficam até as 16 horas, quando o sol se posiciona diretamente com a Terra. Por isso, esse raio é perigoso se não prevenido corretamente.

Mesmo em dias nublados ou à sombra, o cuidado mantém-se. “Até 80 por cento da radiação atravessa as nuvens e parte reflete no chão, areia ou água”, afirma a especialista.

A longo prazo, as queimaduras na infância têm um impacto sério. “Aumentam de forma significativa o risco de melanoma, aceleram o envelhecimento e podem deixar alterações permanentes na pigmentação”, revela a dermatologista.

Além do protetor, outros cuidados são indispensáveis: usar chapéu de abas largas, roupa com proteção UV, óculos de sol com filtro e evitar o sol entre as 11 horas e as 17 horas.

A aplicação do protetor deve ser generosa: uma colher de chá para rosto e pescoço, uma colher de sopa para cada braço e duas para cada perna e tronco. Reaplicar a cada duas horas, e sempre após nadar, suar ou secar com toalha. Se houver queimadura, retire a criança do sol, hidrate com loções calmantes sem álcool, ofereça líquidos e mantenha o ambiente fresco. “Em caso de bolhas, febre, mal-estar ou dor intensa, é fundamental consultar um dermatologista”, alerta. 

Quanto a mitos, Ana Pedrosa é clara: pele morena em adultos também precisa de proteção, o inverno não afasta o risco de queimaduras e a radiação solar não desaparece à sombra.

Leia o artigo da NiT sobre como deve escolher os protetores solares para a pele de adulto e por que não deve usar os restos dos produtos do ano passado. 

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