O Alentejo é um dos melhores destinos para quem procura turismo de saúde e bem-estar. A conclusão é do mais recente estudo sobre o Perfil do Visitante da Época Baixa e da Época Alta no Alentejo, cujos dados foram recolhidos entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O trabalho, desenvolvido pela Universidade de Évora, com coordenação científica de Joana Lima, e encomendado pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, mostra que a região está na moda, mas por motivos que vão muito além dos monumentos.
Ao contrário do que acontecia há mais de uma década, hoje o grande fator de atração é a pacatez e a paisagem natural. José Santos, presidente da ERT, sublinha esta mudança face ao estudo realizado em 2011, onde “havia claramente o maior predomínio dos aspetos culturais e do património cultural”. Agora, a grande protagonista é a “experiência restauradora”, ou seja, “a conexão que o turista quer ter com a natureza e com a cultura”.
“O Alentejo tem, nos últimos anos, criado a oferta turística para esse perfil. As pessoas querem descansar”, explica José Santos. Os dados confirmam que a fuga ao stress e a procura por tranquilidade são apontadas como motivações principais dos visitantes. O grau de satisfação com o Património Natural e Paisagístico ultrapassa os 92 e os 94 por cento entre os inquiridos, o que leva o responsável a admitir que existe uma “superação de expectativas”, com os turistas a apontarem a paisagem como um “elemento valorizador e central”.
O perfil de quem visita o território também está a mudar. A imagem das grandes férias em família está a perder espaço para um segmento médio, alto e até de luxo, constituído sobretudo por casais ou grupos de amigos. Este novo turista “valoriza mais as experiências, contrariamente a um turista médio ou médio baixo que gasta essencialmente tudo em alimentação e alojamento”. Existe hoje uma forte disponibilidade financeira para investir em animação e atividades diferenciadoras.
Outro fator decisivo que coloca o Alentejo no topo das preferências globais é a perceção de segurança, o segundo atributo mais valorizado, particularmente elogiado pelo mercado norte-americano, seguido da hospitalidade. “O Alentejo recebe bem, e isso não é um mero claim comunicacional”, reforça o presidente da ERT.
A nível nacional, os residentes da Área Metropolitana de Lisboa continuam a ser os maiores fãs do Alentejo, sobretudo durante a época baixa. Já na época alta, nota-se uma subida de turistas oriundos das regiões Centro e Norte. O resultado traduz-se numa probabilidade de os visitantes regressarem ao Alentejo entre os 86,1 e os 89,5 por cento, enquanto a intenção de recomendar a região atinge valores entre os 93,9 e os 95,3 por cento.








