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Já pode ser dono deste turismo rural instalado na antiga estação de Évora Monte

O antigo apeadeiro ferroviário do concelho de Estremoz foi recuperado e convertido em cinco alojamentos independentes. Custa perto de meio milhão de euros.

As antigas estações de comboio guardam memórias de chegadas, partidas e de um tempo em que a ferrovia ajudava ao desenvolvimento das populações rurais do País. Em Évora Monte, no concelho de Estremoz, há um desses edifícios que, noutros tempos, foi ponto de passagem. Hoje, a antiga estação ferroviária de Évora Monte transformou-se num turismo rural e está à venda para quem a queira comprar.

Como explica à New in Évora Ricardo Grácio, da PortugalRur, responsável pela comercialização do imóvel, a história deste espaço começou no final do século XIX. “A estação de Évora Monte, ou Apeadeiro, neste caso, foi inicialmente inaugurada a 22 de dezembro de 1873, e fazia parte da linha entre Évora e o Vimeiro”. Durante mais de um século, serviu a região e os habitantes, até que o declínio das vias férreas secundárias em Portugal ditou o encerramento. A linha acabou por ser “desativada nos anos 90, através de um grande plano que foi implementado de reestruturação e desativação de linhas secundárias”.

O encerramento trouxe o abandono, cenário encontrado pelos atuais proprietários quando decidiram investir no local. “A propriedade já estava num estado de degradação avançado”, explica Ricardo. Antes do arranque do projeto de recuperação, toda a zona envolvente já tinha perdido parte do património industrial. “A estação em si, ou o apeadeiro, ou a casa da estação, ainda contemplava um armazém de descargas, com aquelas gruas que existem ainda em algumas estações, mas que foi tudo retirado pela CP e demolido”, relata o agente.

Foi a visão dos atuais detentores da concessão que salvou o edifício principal da ruína total. Assumiram todos os custos da reabilitação e avançaram com “uma obra total”. “Tudo o que está feito foi feito pelos atuais proprietários da concessão”, reforça Ricardo Grácio.

O objetivo do projeto passou sempre por respeitar a identidade original do edifício, valorizando os elementos estruturais existentes e introduzindo infraestruturas modernas de forma harmoniosa, capazes de garantir a funcionalidade e o conforto atuais. As intervenções mais profundas concentraram-se no que o tempo já tinha degradado. “As únicas alterações foram nas madeiras do telhado, que muitas delas já nem existiam, ou já tinham apodrecido, mas o chão, as portas e os azulejos foram mantidos”.

Para garantir a autenticidade da fachada e dos interiores, “alguns dos azulejos foram repostos, foram mandados fazer para ficar como no passado”. No exterior, um dos detalhes mais marcantes também resistiu ao tempo. “A calçada, com o nome de Évora Monte, também se manteve”, para preservar a memória do local.

O alojamento: cinco casas num monte alentejano

Hoje, quem visita este monte alentejano com 162,8 metros quadrados de área encontra um projeto turístico onde a antiga casa da estação foi convertida em cinco unidades de alojamento independentes, onde a versatilidade e o aproveitamento do espaço são algumas das principais mais-valias.

Cada um dos cinco alojamentos desenvolve-se em dois pisos. No rés do chão, os hóspedes encontram uma zona de estar, uma kitchenette totalmente equipada e uma casa de banho. O quarto foi projetado numa mezzanine, dividida de forma a criar dois ambientes distintos: uma zona com cama de casal e outra divisão ideal para famílias ou amigos, equipada com duas camas individuais.

Se o interior convida ao descanso, o exterior não fica atrás. A propriedade está inserida num terreno com 8.974 metros quadrados. De um lado da propriedade surge a paisagem dominada pelo Castelo de Évora Monte e, do outro, mais distante no horizonte, ergue-se o Castelo de Estremoz.

A estação encontra-se a curta distância de alguns centros históricos do Alentejo, como Évora, Estremoz e Vila Viçosa, proximidade que transforma o projeto num ponto de partida ideal para turistas interessados em explorar a riqueza cultural da região. Além da exploração turística regular, o terreno permite ainda a realização de eventos privados, casamentos ou retiros.

Para os investidores interessados, importa sublinhar que o imóvel pertence ao Estado Português. O que está à venda através da PortugalRur, por 460 mil euros, é a empresa detentora da concessão de exploração da estação. A concessão é válida até 2053, permitindo aos novos proprietários continuar imediatamente o projeto turístico. A renda anual paga ao Estado pela utilização do espaço é de mil euros, valor simbólico que reflete o investimento já realizado pela atual empresa nas obras de reabilitação.

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