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Maior reserva de água da Europa submergiu uma aldeia e quer ser uma Maravilha de Portugal

O destino desta grande obra de engenharia decide-se já na próxima meia-final e o público é quem dita as regras.

Passados 20 anos da primeira edição, o concurso das Novas 7 Maravilhas de Portugal regressa em 2026 para celebrar a histórica, cultura e arquitetura do País. De um total de 629 candidaturas, um painel de 140 especialistas selecionou os 147 finalistas, que avançam agora para a votação do público.

Um destes finalistas é a Barragem de Alqueva, localizada na bacia hidrográfica do rio Guadiana, que concorre na categoria de “Grandes Obras”. O projeto, que por algum tempo foi um mito para a população pelos 50 anos que separaram os primeiros estudos da sua concretização, é hoje muito mais do que uma forma reter água. Tornou-se na origem de um sistema de fins múltiplos, composto por um total de 72 barragens e reservatórios.

Após décadas de avanços e recuos, as obras arrancaram em 1998, ficando concluídas em janeiro de 2002. O momento da inauguração deu-se a 8 de fevereiro desse mesmo ano, quando as comportas se fecharam para dar início ao enchimento da albufeira. Esta decisão obrigou a que a antiga aldeia da Luz fosse submersa, tendo a população sido realojada numa nova localidade planeada de raiz e erguido o Museu da Luz para preservar o património da antiga aldeia e da região.

Hoje, os números desta infraestrutura continuam a impressionar: com uma albufeira de 250 quilómetros quadrados e mais de 1100 quilómetros de margens, é o maior lago artificial da Europa. O Alqueva guarda ainda a maior reserva de água do continente europeu, com uma capacidade de 4150 milhões de metros cúbicos, que permite irrigar 130 mil hectares de terrenos agrícolas, combatendo a desertificação.

Ao abranger os cinco concelhos de Portel, Moura, Reguengos de Monsaraz, Mourão e Alandroal e estendendo-se a municípios em Espanha, como Olivença e Villanueva del Fresno, a infraestrutura criou infinitas possibilidades para o desenvolvimento turístico.

O Grande Lago do Alqueva junta-se agora à história do território. “O legado das 7 Maravilhas recorda-nos que o património não é apenas memória do passado, mas também uma ponte para o futuro. Preservar monumentos, tradições e culturas significa valorizar a identidade do nosso povo”, sublinhou Luís Segadães, Presidente das 7 Maravilhas de Portugal. Uma visão partilhada por Nuno Santana, CEO da NIU Experience Agency, que destaca a capacidade do projeto de alavancar “o turismo, a economia local e o reconhecimento internacional de Portugal”.

As meias-finais regionais arrancam a 13 de junho, com transmissão em direto na TVI. Segundo José Eduardo Moniz, Diretor-geral da estação, a proximidade televisiva permite “dar visibilidade ao que melhor define o país” e reforçar “a ligação dos portugueses àquilo que nos une”.

A votação popular já está a decorrer e pode ser feita por telefone ou através da aplicação TVI Pass. A lista completa dos 147 finalistas, divididos em sete categorias (Castelos, Religião, História, Grandes Obras, Século XX, Século XXI e Turismo), está disponível no site oficial da organização.

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