Quem vive ou visita Évora durante os meses de verão conhece bem o desafio que é atravessar a cidade debaixo de um sol abrasador. A ausência de sombras e as temperaturas elevadas tornam principalmente a zona do Rossio de São Brás quase inacessível nas horas de maior calor. Porém, este cenário tem os dias contados graças a uma revolução que promete transformar o espaço e adaptá-lo às alterações climáticas.
Esta terça-feira, no Palácio D. Manuel, foi dado o primeiro grande passo com a assinatura do protocolo para a “Requalificação e Renaturalização do Rossio de São Brás | Laboratório Floresta Nómada”, também conhecido como Rossio II. A cerimónia juntou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, e a presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, num compromisso de devolver a natureza ao espaço urbano.
O grande destaque desta intervenção é a “Floresta Nómada”. Concebido pelo arquiteto paisagista holandês Bruno Doedens, o projeto foge ao conceito de um jardim tradicional. Trata-se de um espaço dinâmico e vivo, que será composto por cerca de mil árvores de grande porte – adaptadas ao clima alentejano – e 500 árvores e arbustos de menor dimensão.
Durante os dez meses da Capital Europeia da Cultura, em 2027, a floresta não será estática e as árvores serão reorganizadas em diferentes momentos e localizações para acolher espetáculos, iniciativas culturais e ações de sensibilização.
Para a ministra Maria da Graça Carvalho, a criação deste “jardim bonito” numa “grande zona sem sombra” é uma “tarefa urgente e imediata” na preparação do território para fenómenos extremos. Sublinhando que este é “um dia bom” para a região, a governante revelou que este é o projeto com o maior apoio financeiro do Ministério do Ambiente nesta fase, contando com 3,4 milhões de euros, num pacote que apoia também intervenções em Beja, Leiria, São João da Madeira, Vila Real e Guimarães.
A dimensão comunitária da “Floresta Nómada” é outro dos seus pontos fortes. Além da componente paisagística, serão entregues milhares de pequenas plantas aos cidadãos, que vão assumir o papel de cuidadores em suas casas. No futuro, estas plantas vão ganhar raízes definitivas no Parque Ambiental de São Bento de Cástris.
Se a Praça do Giraldo é o coração do centro histórico, o novo Rossio de São Brás vai assumir-se como “o coração e o pulmão da cidade”, destacou o presidente Carlos Zorrinho. O autarca garantiu que esta não é apenas uma obra passageira. Terminada a Capital Europeia da Cultura, a estrutura principal permanecerá no Rossio, com acordo garantido até 2029 e continuidade assegurada pelo município, devolvendo cerca de 29 mil metros quadrados de espaço qualificado aos eborenses.
Carlos Zorrinho reforçou ainda que parte das árvores transitará depois para São Bento de Cástris, irradiando “uma cidade mais verde”. Maria do Céu Ramos concluiu que este será um dos principais e mais duradouros legados de Évora 2027.








