As primeiras luzes da manhã iluminam as vinhas carregadas de uvas, os cestos voltam a encher-se e o cheiro a mosto começa a espalhar-se pelas adegas. É o sinal de que as vindimas regressaram ao Alentejo. Entre agosto e outubro, dezenas de produtores abrem as portas para convidar os visitantes a participar numa das tradições mais emblemáticas de Portugal, com experiências que vão da apanha da uva às provas de vinho, passando pela clássica pisa a pé.
O cenário é idílico e os números comprovam-no: a região registou um crescimento de 3,8 por cento nas dormidas turísticas em 2025, um indicador que reforça o enoturismo como uma prioridade estratégica do Alentejo para o período entre 2026 e 2031. Mas o que atrai tanta gente à região? Raquel Lopes, diretora de marketing da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), explica: “O Alentejo oferece uma enorme diversidade de experiências ligadas ao vinho e que são pensadas para diferentes perfis de visitantes. Para além das visitas e provas tradicionais, temos workshops, sessões de vinoterapia, passeios e piqueniques junto à vinha”.
O segredo do sucesso, acrescenta, passa por “proporcionar o contacto mais próximo possível com quem produz o vinho e com todo o processo, desde a apanha da uva até ao vinho no copo”. “É isso que permite descobrir não só os aromas e sabores, mas a identidade, a cultura e a autenticidade da nossa região.”
A procura internacional reflete este interesse. Embora o turista nacional continue a ser maioritário, cresce o número de visitantes vindos de mercados como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Austrália, Argentina e China. Para reforçar essa aposta, a CVRA organiza visitas inversas. Como explica a diretora de marketing, “convidamos os traders, neste caso os compradores de vinho no Brasil, desde os importadores a grandes superfícies comerciais, portanto, aqueles que se interessam em comprar vinho no Alentejo, nós convidamos a vir ao Alentejo”. A iniciativa traz compradores, influenciadores e jornalistas, como as brasileiras Suzana Barelli e Marianne Piamonte, para imersões exclusivas, apelidadas de wine tours, nas adegas alentejanas.
Para facilitar a vida a quem quer sujar as mãos ou os pés na produção das colheitas deste ano, a NiE reuniu algumas das melhores propostas. “Todos os anos, contactamos as nossas agências económicas, ou seja, os nossos produtores, e vemos junto deles quais são aqui as ofertas que anualmente eles têm para oferecer”, nota ainda Raquel Lopes.
O ponto de partida ideal para qualquer explorador vínico é a Rota dos Vinhos do Alentejo, situada junto ao Templo Romano de Évora, no centro histórico. Com provas a partir de 5€ e mais de 60 adegas aderentes, o espaço funciona como uma bússola para quem pretende descobrir a região. Segundo Raquel Lopes, é aqui que os visitantes recebem aconselhamento gratuito para desenhar o roteiro mais adequado pelos produtores, aproveitando também para conhecer as adegas em destaque todas as semanas. A responsável sublinha que “o espaço da rota acaba por ser aqui também um agregador de contactos para enoturismo, onde o cliente chega, faz uma prova e questiona-nos que tipo de enoturismos é que pode visitar e nós, obviamente, temos ali uma boa base de dados e acabamos por também partilhar com os clientes estas informações”.
A poucos quilómetros do centro, as experiências multiplicam-se. Na Herdade de São Miguel, da Casa Relvas, o programa, entre 45€ e 95€, convida a passear pela vinha, participar na vindima manual e recriar a tradicional pisa a pé, terminando com uma prova de mostos e um almoço de produtos regionais. Já o Enoturismo Cartuxa, entre 200€ e 275€, aposta na exclusividade: pequenos grupos acompanham a escolha da uva e a pisa a pé, culminando numa prova de vinhos premium e azeites da Fundação Eugénio de Almeida.
A Fita Preta, com programas a partir de 150€, lança um desafio diferente: integrar a equipa de enologia durante quatro horas, participando em remontagens, provas e análises laboratoriais. Para as famílias, existe ainda uma Kids’ Experience. Em Vimieiro, no concelho de Arraiolos, a Mainova organiza, a 5 de setembro, a “Moinante Experience” (120€), um dia inteiramente dedicado ao terroir e ao quotidiano da propriedade.
Em Reguengos de Monsaraz, uma das sub-regiões mais conceituadas e ativas nesta época, a Ervideira, com programas a partir de 65€, propõe a experiência “100 Pés”, que recupera a pisa da uva a pé, e a Vindima Noturna. “Convidamos os visitantes a participar na colheita ao cair da noite, num ambiente único que termina com uma prova comentada pelo produtor Duarte Leal da Costa”, destaca o programa.
Na Adega José de Sousa, entre 28€ e 60€, o regresso às origens faz-se através de uma visita guiada à Adega Nova e à Adega dos Potes, seguida de uma degustação de petiscos. Não muito longe, às sextas-feiras, a Herdade do Esporão, com programas entre 35€ e 90€, entrega um kit de vindima aos visitantes para a apanha manual da uva, levando-os depois até à Adega dos Lagares e às caves subterrâneas para uma harmonização de vinhos com queijos, enchidos e chocolates.
Em Estremoz, a João Portugal Ramos propõe um programa de 110€ que convida os participantes a trabalhar lado a lado com os vindimadores. Após a apanha, há tempo para a tradicional “bucha” entre as vinhas, a pisa a pé nos famosos lagares de mármore e um almoço vínico inspirado na gastronomia alentejana.
A Herdade das Servas, com uma experiência de 55€, também centra o programa no ritual secular da pisa da uva nos lagares de mármore, seguido de uma prova de vinhos e da oferta de uma garrafa aos participantes. Já a Tiago Cabaço Winery, com provas a partir de 14€, mantém as portas abertas para experiências comentadas e adaptáveis, onde edições especiais se juntam a compotas e queijos tradicionais do Alentejo.
Embora estes três concelhos concentrem grande parte das atenções, há propostas espalhadas por toda a região. Em Montemor-o-Novo, a Quinta da Plansel, entre 70€ e 110€, desenhou programas de meio dia ou de dia completo com pisa a pé e caminhadas. Em Montargil, o Monte da Raposinha aposta em visitas ao terroir acompanhadas por tábuas de queijos, desde 15€.
Na Vidigueira, a Quinta do Quetzal, entre 70€ e 100€, junta à vindima um piquenique assinado pelo chef João Mourato, enquanto a Herdade do Sobroso, entre 35€ e 180€, serve almoços tipicamente alentejanos num conceito farm-to-table. Na mesma zona, em Vila de Frades, o Vinho de Talha domina os programas da Gerações da Talha, por 45€, com o tradicional “mexer das talhas”, e do Honrado Vinho de Talha Artesanal, entre 50€ e 90€.
Mais a sul, em Beja, a Casa de Santa Vitória propõe uma experiência de 65€ com kit de vindima e apanha manual da uva. Já a Herdade da Malhadinha Nova, em Albernoa, complementa a vindima com passeios de jipe vintage, workshops de olaria e massagens de vinoterapia. Em Monforte, o Torre de Palma Wine Hotel apresenta programas entre 60€ e 1030€, que podem incluir estadias de luxo e um workshop de wine blending, onde cada participante cria o seu próprio vinho.
Carregue na galeria e conheça cada um dos 20 programas.








